sexta-feira, 30 de março de 2012

Suplemento de energia

Uma das sensações mais dolorosas de nosso tempo é de que nossa vida pode não ter sentido ou propósito nenhum. Você trabalha feito um louco para enriquecer algum outro, você não vê grande significado no que faz. Todo mundo precisa sentir que fez algo, que produziu qualquer coisa fora do trivial e superficial. Por isso corre-se tanto e por isso frustra-se tanto.

Você quer fazer algo? Mas se você está sozinho, no momento em que suas forças acabam, você está acabado. Quando sua energia se esgota, não há o que fazer. Fim da linha. Você pode chorar e arrancar os cabelos por ver tudo o que gostaria de fazer e não vai conseguir. Se você está sozinho, não há alternativa.

Assim, se você acredita que seus recursos são inesgotáveis, então ok, continue tocando o bonde sozinho. Mas suspeito que você já tenha se dado conta de que seu oxigênio é pouco, sua autonomia de voo é pequena, você está fadado a cair.

Você precisa de alguém além de si próprio. Você precisa de algo que está fora de você. E isso é um problema, porque se você escolher algo tão limitado e inconstante quanto si próprio, seu problema estará redobrado, e não resolvido.

Há um suplemento confiável e inesgotável de energia à sua disposição, contudo. "Aqueles que confiam no Senhor, recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam" (Isaías 40:31).

Confie no Senhor. Esta é a única medida completamente à prova de frustrações.E, além disso, confiando no Senhor, passando tempo com Ele, você passa a querer aplicar suas energias em coisas realmente gratificantes. Sua vida adquira o propósito que você tanto persegue.

Que você aprenda a fantástica alternativa que é confiar!

Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 30/03/12

sexta-feira, 23 de março de 2012

As estações

Temos atado ao pulso um lembrete constante da descomunal importância do instante. São 08h41 e se havia uma forma melhor de eu ocupar o minuto conhecido como 08h40 de hoje, já passou. Meu relógio é um eloquente acusador de minha dolorosa temporalidade.

A importância e o peso disso podem ser ilustrados pelas muitas peças de ficção que foram baseadas na hipótese de isso não ser assim: e se pudéssemos viajar no tempo? E se pudéssemos rearranjar as coisas, tentar de novo, alterar o curso dos acontecimentos?

Os dias que ficaram para trás, fechados e acabados estão. É cruel mas é assim. "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios", orou o salmista (Salmo 90:12).

Mas, embora tenhamos o lembrete desse fato atado ao pulso, somos ases em driblar um pensamento tão doloroso. Vivemos como se fôssemos eternos e como se a qualquer momento pudéssemos corrigir as coisas que fizemos ou deixamos de fazer. Não podemos reclamar do Criador. Ele está constantemente nos lembrando de que o tempo anda para frente e só para frente. Ele o faz no nascer e deitar do sol, faz nas fases da lua e também de forma mais abrangente, nas estações do ano.

Na série de fantasia “Uma canção de gelo e fogo”, de George R. R. Martin, cada estação pode durar vários anos, o que faz do inverno algo especialmente temível. Uma das casas nobres que protagonizam a história tem como lema a lúgubre certeza de que “o inverno está chegando”. As pessoas nascidas no verão são olhadas pelos mais velhos com comiseração, são “crianças do verão”, gente que não conheceu a impiedade do inverno. Ali, portanto, torna-se imprescindível aproveitar bem o verão. É a estação propícia para fortificar as propriedades, estocar alimentos, garantir a subsistência quando a neve chegar.

Em Jeremias 8:20 há este triste lamento: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.” Deus disse que um dia diria “basta!”, e então pecado e pecadores seriam parte de um passado não passível de mudança. Quando isso acontecer, estaremos salvos ou irremediavelmente perdidos. Este momento é antecipado para cada um que encontra a morte e o apelo do Pai é para que aproveitamos o verão. As estações se sucedem, este é um fato da vida, e Ele nos adverte a não brincar com elas. Não se brinca com a vida.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Quem não falhou?

Às vezes pensava que Jesus tinha tido uma habilidade excepcional para escolher Seus discípulos, já que dos 12 só um havia falhado. Os outros todos tinham se tornado grandes homens de Deus. Era um pensamento equivocado, contudo. Olhando de perto, o índice de falha entre os amigos mais próximos de Jesus é de 100%. Todos os 12 falharam. Todos dormiram enquanto o pecado de um planeta inteiro caía-Lhe nos ombros, todos fugiram quando Ele foi preso e um deles negou conhecê-lO naquela mesma noite. Aqueles que andaram junto dEle durante três anos e meio falharam lamentavelmente.

Não é possível minimizar o tamanho desses deslizes, a reação de Jesus a eles não deixa margem a dúvidas quanto ao quanto eles O fizeram sofrer.

Os homens que vemos fazendo maravilhas, pregando, curando e convertendo a milhares são estes mesmos. Eles não são diferentes de mim e de você. Eles também falham, e falham feio. O que fez de Judas Judas foi tornar definitivo seu erro. Os outros deram uma chance ao arrependimento e puderam ser transformados por Jesus Cristo.

Isso não é uma crítica à capacidade de escolha de Jesus. Escolhesse Ele quem fosse, nunca teria a perfeição, porque é isso o que nós somos, pecadores, e pecado pode ser traduzido como errar o alvo. Todos nós erramos o alvo com maior ou menor frequência.

Há poucas figuras na Bíblia sobre quem não há registro de uma única falha. Um Enoque aqui, um Daniel ali. Eles são, claramente, a exceção à regra. Os demais todos mostraram todas as fraquezas da alma humana em algum momento de suas biografias e nem por isso deixaram de ser contados no "Hall da fama" dos gigantes da fé.

É que eles deram uma chance ao arrependimento, pediram ajuda, e foram transformados por Jesus Cristo.

Você também pode.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tema a Deus e não temas

O ser humano tira prazer de fontes muito diversas e algumas delas até mesmo bem improváveis; para mim, nenhuma é maior nesse quesito do que os filmes de terror. Por que razão alguém de bom grado escolhe passar duas horas sentindo medo?

O medo é um dos sentimentos mais universais. Todos o sentem. Todos tem seus “top 10” medos e o consenso geral é o de que falar em público, ficar sozinho, ter dificuldades financeiras, insetos e voar são dos mais corriqueiros. O medo tem um aspecto positivo, que é o de ajudar na nossa preservação, nos alertar contra riscos iminentes ou desnecessários, mas tem muitos aspectos negativos, que incluem a paralisação absoluta e o descontrole sobre certas funcionalidades fisiológicas, dependendo da intensidade do medo. O medo nos impulsiona a querer nos ver fora daquela situação que o originou e é por isso que não entendo o prazer que alguns têm em filmes de terror com seus sustos, caveiras falantes, seres bizarros, assassinos desumanos, zumbis e etc.

Mas é por ser um sentimento tão universal e tão inescapável que a frase mais repetida em toda Bíblia é justamente “não tenha medo”. Certamente essa frase não estaria tão repetida se o medo fosse algo eventual e episódico. Não, ele faz parte da nossa experiência, está aqui o tempo todo, espreitando. “Não tenha medo”, diz nosso Deus, da mesma forma que um pai diz a seu filhinho, expressando que sua presença ao lado dele deveria ser suficiente para tranquilizá-lo. “Você acha que há coisas assustadoras embaixo da cama, mas eu estou aqui!”

Mas por que razão Deus nos pede para não ter medo tantas e tantas vezes se em outras oportunidades ele nos orienta a “temer a Deus”? Como a presença dEle vai espantar o medo se sou orientado a ter medo justamente dEle? O que significa temer a Deus?

Decerto que não significa que devemos ter medo dEle como temos nos filmes de terror ou quando ouvimos um barulho estranho no meio da noite. Afinal de contas, se Ele pretendia ser temido nesse sentido, não deveria ter aparecido com a aparência inofensiva de Jesus e Se deixar matar daquela forma. A Bíblia não nos brinda com muitas cenas de horror envolvendo caveiras falantes, zumbis e embora haja no Apocalipse e em Daniel alguns monstros estranhos o contexto deixa claro que eles são simbólicos, não reais. Ok, isso ajuda a entender o que não é temer a Deus, mas não ajuda nada a entender o que temer a Deus significa.

Talvez ajude a responder a essa questão a noção de que algo que você teme você não ignora. Você não vive como se aquilo que você teme simplesmente não existisse. Você não nega a existência das circunstâncias em que precisa falar em público, voar, você não nega que existam insetos, ao contrário, você vive ciente da possibilidade de cruzar o caminho dessas coisas. E também você não brinca com uma coisa que você teme; o medo é emergencial, ele não pode ser postergado. Você não continua jantando e pensando: um dia vou ter que lidar com aquela barata que está ali em cima da pia. É nesse sentido que devemos temer a Deus. De forma curiosa, para vencer nossos medos, precisamos desenvolver essa espécie de temor de Deus, um senso constante de Sua presença e santidade, reverenciando e respeitando nosso Criador.

Afinal de contas, “no amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” (I João 4:18).

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nostalgia da ditadura

Para minha geração, que foi educada num ambiente em que os formadores de opinião eram os torturados, a ditadura militar é a própria encarnação do mal. Curioso, então, tropeçar de quando em vez em pessoas mais velhas que suspiram com nostalgia pela ditadura. Aquele tempo é que era bom, dizem eles. Havia investimento em infraestrutura no país, os governantes eram mais sérios, etc e tal. Colocados na balança a liberdade de pensamento e expressão e o estado de direito de um lado e, de outro, essas virtudes da ditadura, lhes parece bem melhor o antigo estado de coisas.

Os hebreus recém libertos de uma escravidão de quatro gerações também suspiraram com saudades da tirania. Entre a liberdade e a dignidade de um lado e carne com cebola de outro, lhes pareceu bem melhor o antigo estado de coisas.

Você conheceu a verdade e ela o libertou da tirania (“conhecerei s a verdade e a verdade vos libertará” João 8:32) e agora você coloca na balança a liberdade genuína contra as delícias da ditadura. Era mais fácil, então. Você não tinha que fazer escolhas morais, bastava se deixar levar pela maré. Você podia engrossar o cordão dos que descem a ladeira no bloco de carnaval. Era só copiar os outros, sem dilemas ou conflitos internos. Fácil. Divertido. Quem disse que a liberdade é tão divertida quanto a ditadura e a escravidão?

Jesus Cristo não nos libertou para coisas pequenas. Ele nos chamou a ansiar coisas melhores. Você pode ficar com música, cinema e literatura ruins, mas Ele o chamou para coisas mais altas. Você pode ficar com comida ruim, mas Ele o chamou para desejar algo mais elevado. Você pode ficar com relacionamentos superficiais e destrutivos, mas Ele o chamou para algo muito melhor. A liberdade de Cristo o liberta para poder ansiar coisas mais altas. Pode parecer menos interessante agora a liberdade e a dignidade do que carne com cebola, mas só quem experimenta a liberdade e nela mergulha com volúpia consegue ler a balança do jeito certo e ver que não há comparação justa entre as duas coisas. Por mais que você queira, um oratório de Bach será sempre milhões de vezes melhor que uma marchinha de carnaval.

Pare de suspirar com nostalgia da tirania. Jesus Cristo pagou com Seu sangue o preço de você poder querer muito, muito mais!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Seja feliz

O jornalista Salomão Schvartzman apresenta todas as manhãs uma coluna recheada de referências culturais na rádio BandNews, e termina invariavelmente com a frase “seja feliz”. Na coluna de ontem ele lançava mão de versos de Carlos Drummond de Andrade para incentivar seus ouvintes a entregarem-se ao amor.

Disse coisas como “para mim a felicidade só existe quando você acredita nela e reconhecer o amor no primeiro instante” ou “fácil é beijar de olhos fechados, difícil é sentir aquela corrente elétrica que atravessa o corpo todo quando beijamos aquela pessoa”. Terminou assim: “se você encontrar alguém hoje ou amanhã e esse alguém fizer seu coração parar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante de sua vida. Se seus olhares se cruzarem e nesse momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa por quem você esteja esperando desde o dia em que nasceu... fique certo que Deus lhe mandou um presente: o amor... ame e seja feliz”.

No afã de incentivar seus ouvintes a buscar a felicidade, contudo, Schvartzman pode estar apenas aprofundando o abismo de infelicidade. Ele parte da premissa de que a felicidade depende do amor físico e de que o amor físico é uma questão de química. Ele também reforça o mito popular da alma gêmea, pelo qual existe alguém lá fora com quem você se encaixaria tão perfeitamente que daí brotariam fontes e mais fontes de felicidade genuína.

Não admira que o mito da alma gêmea seja tão popular. Ele é muito conveniente. Pensar que todos os meus problemas vão desaparecer se eu tão somente estiver com a pessoa certa, que vai se encaixar à perfeição na minha imperfeição e que eu não vou precisar fazer nada a não ser relaxar e ser amado é muito sedutor.

Essa felicidade química, tão harmônica com os postulados evolucionistas, é na verdade uma felicidade muito, muito triste, porque transitória. A química desaparece e força você, para “ser feliz”, procurar outra em outro lugar. Ela também é triste porque nos convence de que amor é uma questão de receber, do que outro pode me dar, e não do contrário, e, como Jesus Cristo exemplificou perfeitamente, o amor duradouro é quando você se preocupa satisfazer o outro. E, por fim, ela é triste porque nos convence de que nossa felicidade está lá fora, nas mãos de alguém.

Como dar durabilidade, perenidade, como fazer definitivos e plenamente satisfatórios os meus sentimentos? Há um jeito, e não é como o colunista e o poeta defendem: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7).

Quando você percebe que sua felicidade está garantida por Jesus e que independe de qualquer outro fator externo, você sente algo muito melhor do que a química da paixão, você sente uma paz que excede todo entendimento e que o puxa pra cima, o faz querer e poder ser melhor. Aí você atrai o que é eterno para os seus sentimentos e até o amor físico passa a ser muito mais do que paixão. Passa a ser cumplicidade, diálogo profundamente íntimo, confiança.

Desconfie das receitas de felicidade que não foram endossadas por Aquele que o criou e seja (genuinamente) feliz.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Outra casa

Há alguns meses lembrei em um destes textos de sexta-feira um dos meus contos favoritos, “Uma casa”, de Moacyr Scliar, que começa assim: “Um homem ainda não tinha comprado sua casa quando sofreu um ataque de angina de peito”. Eu o li há muitos, muitos anos, mas essa primeira frase ficou gravada em minha memória como tradução de um sentimento mais ou menos universal, o desejo de fincar raízes em um lugar, de ter a segurança de ser proprietário de um naco de terra.

Todos acompanhamos com diferentes graus de indignação e preocupação a desastrada reintegração de posse do bairro Pinheirinho, em São José dos Campos e também o desabamento dos três edifícios no centro do Rio de Janeiro nas últimas semanas. Para os moradores de Pinheirinhos, a expectativa de perenidade de sua propriedade era precária, já que o terreno era ocupado irregularmente, e os edifícios no Rio talvez não sejam a melhor ilustração para o que quero dizer, porque eram edifícios comerciais. Tomemos então aquelas famílias que viviam há décadas em casas devidamente regularizadas na serra carioca até o momento em que uma avalanche de barro levou tudo embora durante as chuvas do último ano. Em qualquer desses casos temos um lembrete inignorável: até mesmo aquilo que nos dá a maior sensação de segurança neste mundo é precário.

Todas as coisas neste mundo tendem ao desgaste, à desvalorização e, por fim, ao desaparecimento. Há algum tempo mudei com minha família para uma casa nova. Ela foi reformada e decorada, ficamos muito satisfeitos com o resultado de nossos esforços, mas menos de um ano depois a pintura já começa a demonstrar sinais de desgaste. Tentei aqui imaginar um futuro, espero que bem distante, em que nós não estejamos mais aqui e em que esta casa, que hoje é cheia de vida, esteja entregue às teias de aranha e ao pó; o resultado desse exercício de imaginação foi um princípio de depressão.

O apóstolo Paulo foi atingido por esse estado de espírito também, mas tinha uma ótima resposta a dar: “Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (II Coríntios 5:1). O contexto deixa claro que ele não está se referindo a uma casa, mas ao nosso corpo, com seus sinais de velhice que apontam para um fim inexorável, mas a conclusão é a mesma: tudo que nos rodeia e tudo pelo que lutamos aqui é precário, fugaz, tendente ao desaparecimento. A menos que estejamos lutando pela casa não feita por mãos, eterna.

Sensação de segurança? Só se, antes das coisas que desaparecem e que nos conferem alguma segurança, tivermos cuidado das que são eternas e não poderão nos decepcionar.

Por qual tipo de coisas você corre hoje?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Departamentos

As tarefas do dia a dia aqui em casa são separadas em departamentos. Organizar as contas e alimentar Olívia, nossa dálmata destruidora de plantas, são exemplos de tarefas sob minha responsabilidade; ver que peças de roupas os meninos estão precisando e ter na cabeça a agenda da família inteira são tarefas do departamento da Tatiana. Graças a essa divisão de tarefas as coisas andam bem.

Quando Deus concebeu a igreja, organizou-a como um corpo, em que cada membro tem sua função. É a aplicação dessa multiplicidade de talentos e habilidades que a faz rica e desenvolvida. Quando há membros inoperantes, contudo, temos um problema. Também temos problemas quando um membro se mete a desempenhar as funções de outro.

Comentando II Pedro 1:5, onde o velho apóstolo aconselha aos irmãos que “empregando toda diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência”, Oswald Chambers afirma acertadamente que a palavra “’acrescentai’ significa que existe algo que nós temos que fazer”. Ou seja, existe uma tarefa a ser desempenhada, algo que temos que proativamente produzir. Ele continua: “Estamos em perigo de esquecer que não podemos fazer o que Deus faz e que Deus não fará aquilo que podemos fazer. Não podemos salvar a nós mesmos nem nos santificar, Deus faz aquilo; mas Deus não nos dará bons hábitos, Ele não nos dará um caráter, Ele nos fará andar retamente.”

Por não saber quais são as tarefas que estão no “departamento de Deus” e quais estão no nosso, muita confusão e frustração nos atingem. Ficamos esperando que Deus faça uma porção de coisas que compete a nós, e só a nós, fazer. Fazer “empregando toda diligência”. Reclamamos que Deus não agiu em nossa vida como desejávamos, como pedimos, como pretendíamos ou mesmo como merecíamos, mas não podemos exigir dEle algo que está na nossa esfera de atuação. Chambers adverte contra a “tendência de perguntar o caminho quando o conhecemos perfeitamente”. Se o caminho que Deus aponta é este, não podemos hesitar nem adiar, precisamos ir.

Há um trabalho a fazer. Ninguém mais pode fazer, só você. É na conjugação do seu esforço com o de Cristo que a vitória está garantida.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Re-resoluções

Já lá se vão duas semanas de ano. Isso pode ser significativo ou não. Se você aproveitou os primeiros dias do ano para fazer um balanço da sua vida, considerando pontos que precisam ser mudados, ênfases e prioridades que precisam ser deslocadas, pode ser que você esteja desanimado ao perceber que nada mudou. Nenhuma resolução de ano novo foi efetivada. Ano novo, vida velha?

Racionalizamos pensando que no frigir dos ovos a virada do ano não quer dizer nada, esse negócio é uma convenção, o tempo não precisa ser compartimentado dessa forma e, por conseguinte, resoluções de ano novo são bobagem.

Mas Jesus contou sobre uma vinha que tinha uma figueira bem no meio. O dono da vinha apareceu, viu aquele trambolho e notou que figo que era bom, necas. Mandou o vinhateiro cortar fora, porque algo que recebe seus cuidados, ocupa espaço precioso e não dá frutos, deveria ser retirado, trocado por algo mais digno. O vinhateiro, contudo, pediu mais um ano. Durante este ano, ele iria cavar, adubar, regar e cuidar daquela figueira com o máximo zelo. Se, ao cabo deste ano, a figueira continuasse improdutiva, vá lá, corte-se. Mas pediu ao dono da vinha um ano mais.

Um ano mais, mas mais nada. Um ano, amigo, pode ser decisivo. Pode determinar o destino eterno da figueira que você é. Quem sabe, passadas duas semanas, não seja o caso de reatar resoluções e reafirmar decisões? Por que esperar alguma outra data significativa ou o próximo dezembro? Um ano pode ser decisivo, o próximo dezembro pode ser tarde demais, a atitude deve ser tomada agora.

Tome a decisão. Mas lembre-se: quem cava, aduba e rega é Ele, o Vinhateiro. Seu trabalho é não desprezar o trabalho dEle, é torná-lo produtivo. Seu trabalho é abrir a Bíblia diariamente e ler o fertilíssimo adubo que Ele preparou pensando em você, é dedicar tempo a sorver o alimento que Ele manda em doses exatas e certeiras. É abrir os olhos e ouvidos para se tornar tudo aquilo que você pode ser. E acredite: o que aquela figueira pode ser vai muito, muito além do que ela imaginaria.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Elogio do aniversariante

Foi por volta do século IV que o que até então havia sido uma celebração do nascimento do deus sol, a Brumália, foi adaptada para celebrar o nascimento de Jesus. Sendo as raízes do natal pagãs ou não, é impressionante que essa celebração continue efervescente 17 séculos depois. As ruas, supermercados, feiras, açougues estavam hoje tomados por uma multidão desesperada para garantir os últimos preparativos. Não se pode negar, o natal é alguma coisa especial. É uma data como nenhuma outra.

Mesmo por entre o monte de entulho que foi sendo acrescentado à data, fica lá no fundinho ainda alguma lembrança associada ao nascimento de alguém numa periferia absolutamente desimportante do império romano há mais de dois mil anos. Somente alguém muito diferente seria capaz de ser celebrado de forma tão intensa por tanto tempo. Mas diferente como? Haverá os que apontam para seus ensinos de paz e de amor, ou para seu aparente ativismo político mas nada disso isolado seria capaz de explicar a particularidade fantástica de Jesus Cristo. A Bíblia, contudo, pode.

Ela diz que Jesus é nosso substituto na pena do pecado (“— Aí está o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” João 1:29). Mas não é só isso. Ela diz que Ele é a melhor terapia que existe (“— Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso.” Mateus 11:28). Mas é mais que isso. Ela diz que Ele garante que a morte física não será o fim da história (“Então Jesus afirmou: — Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” João 11:25). Mas é mais que isso. Ela diz que Jesus nos garante mais do que simplesmente a sobrevivência, Ele dá sentido à vida (“Eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa” João 10:10). Jesus é mais do que isso, contudo. Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6) e nos confere uma paz muito superior à que o mundo tenta nos vender (João 14:27). Jesus é tudo isso e muito mais e tem sido muito mais em minha vida. E, se Seu nascimento foi importante há dois mil anos atrás, não pode se comparar com o impacto que terá quando nascer no seu coração.

“Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos.” (Apocalipse 3:20).

Feliz natal, @migos!

Marco Aurelio Brasil, 23/12/11

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Alerta

Qual é o propósito de sua vida? Qual é sua grande missão, aquela que dá sentido a sua existência? Se você tem uma resposta para essas perguntas, acrescento ainda outra: o que falta para sua missão estar completada?

Na história de Naamã aparece uma menininha cativa. Separada dos pais, levada à força para uma nação estrangeira de hábitos e religião esquisitos. Diferentemente de outros cativos famosos, como José e Daniel, ela não chegou a galgar altos postos na hierarquia Síria. Nenhum biógrafo se demorou muito nela. Sua história é contada para as criancinhas como exemplo de como uma criança pode ser útil, mas não vai muito mais longe do que isso. Será que ela cumpriu sua missão? Será que sua vida teve um propósito?

Em outra ocasião aqui contei a história de uma amiga gaúcha que em um momento particularmente negro de sua vida, precisou fazer uma viagem solitária a Belo Horizonte; ela chegou à igreja central no dia em que havia toda uma programação voltada para homenagear um casal que havia falecido dias antes em um acidente aéreo. O sermão daquela manhã a tocou profundamente, arrancou lágrimas aos litros e lavou uma parte dolorida de sua alma. Além disso, ela foi notada, mesmo em uma igreja tão grande, por duas famílias diferentes em momentos diferentes; uma delas a levou para almoçar, outra para passear pela cidade e depois acordaram de madrugada para levá-la ao distante aeroporto de Confins.

Enquanto ficamos esperando algo grandioso acontecer, enquanto ficamos aguardando nos encontrar numa situação ideal para podermos brilhar, a vida vai acontecendo. Agora mesmo. Deus chama todos Seus filhos para trabalhar e lhes concede os mais variados dons e as mais variadas tarefas também. Há as grandes e há as pequenas também. Ele espera que estejamos prontos a responder sim a qualquer tipo de chamado, em qualquer situação. Para minha amiga deprimida, o sermão foi uma tábua de salvação, mas aquelas pessoas dispostas a identificar um rosto estranho na multidão e agir de forma solidária, inclusiva e terna foram as cordas que terminaram de tirá-la da escuridão em que se encontrava. Não é só o pr. Bullón que faz o serviço de Deus, a pessoa que está ao lado daquela alma em frangalhos e a abraça é tão parte do corpo de Deus quanto o pregador.

Mas é preciso estar atento aos chamados dEle para sermos Suas mãos, Seus pés, Seus olhos, Sua voz mesmo agora, pelos caminhos que caminhamos distraidamente, esperando algo acontecer em um futuro longínquo...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Feriado da alma

Em frente à minha janela há uma araucária linda e uma outra árvore cujas folhas pinguelam suavemente os resquícios da chuva que parou há pouco. Da base do tronco dessas árvores até o alto de suas copas, se eu ajustar bem o foco, posso ver centenas de digitais do Criador. Atrás de mim meus filhos brincam de esconde esconde e em suas risadas posso identificar o DNA do Criador. Deus está aqui, Sua presença preenche cada centímetro cúbico da atmosfera que me rodeia. É claro. É evidente. Mas, se é assim, por que Ele diz “buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo coração” (Jeremias 29:13) ? Por que Deus precisa ser buscado e por que a condição para encontrá-lo é tão custosa?

Na parábola de Jesus, o homem que encontrou o tesouro escondido no campo vendeu tudo o que tinha para comprar o campo e ficar com o tesouro. O homem que procurava pérolas preciosas precisou vender todo seu patrimônio para ter nas mãos a pérola de grande preço que encontrou. Um achou sem querer o tesouro, o outro estava procurando intensamente, mas ambos, ao identificarem o valor daquilo que encontraram, precisaram aplicar-se inteiramente para ter.

Você não faz concessões a Deus. Você se entrega inteiramente. “Cristo diz: ‘Quero tudo o que é seu’”, afirma C. S. Lewis. “Não quero uma parte do seu tempo, uma parte do seu dinheiro e uma parte do seu trabalho: quero você. Não vim para atormentar o seu ser natural, vim para matá-lo. As meias medidas não me bastam. Não quero cortar um ramo aqui e outro ali; quero abater a árvore inteira. Não quero raspar, revestir ou obturar o dente; quero arrancá-lo. Entregue-me todo o ser natural, não só os desejos que lhe parecem maus, mas também os que se afiguram inocentes – o aparato inteiro. Em lugar dele, dar-lhe-ei um ser novo. Na verdade, dar-lhe-ei a mim mesmo; o que é meu se tornará seu”.

A igreja católica instituiu no século XI a quaresma, um período de abstenção de carne e privação. Foi permissiva, contudo, com a instituição do carnaval (ou “adeus à carne”) antecedendo esse período. A festa rapidamente se tornou a válvula de escape moral. Você pode tirar um feriado para descansar o corpo, então também pode tirar um feriado para descansar a moral – era a ideia.


Ninguém é de ferro, ninguém é perfeito, eu também sou filho de Deus, é só uma fase, Deus vai entender. Não importa o nome que você dá a isso, não se tira feriados morais. A moral não admite concessões. É preciso aplicar o coração inteiro para ver a Deus. Ele quer pessoas, não retalhos de pessoas, porque pessoas inteiras, ainda que feridas, ainda que fracassadas, ainda que mutiladas pelo pecado, podem ser refeitas a Sua imagem e semelhança.


Deus precisa ser buscado porque os olhos de pessoas que não se entregam integralmente perderam a capacidade de enxergá-lO. Pense nas coisas, nas partes de você próprio que você precisa abdicar para estar apto a vê-lO de novo e entregue a Ele. “Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo” (Isaías 55:6).

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Uma tolice

Saul fora coroado rei havia pouco tempo e já tinha um exécito gigantesco de filisteus para encarar. Ele convocou o povo todo, mas nem todo mundo atendeu. Os que atenderam eram menos de 10% do número de filisteus e terrivelmente menos preparados que os filisteus. Suas armas eram relhas e foices, ao passo que os filisteus tinham carros, cavalos, espadas e escudos. Para piorar, Samuel havia prometido aparecer e nada. Estava atrasdo e seu exército que já era minguado diminuia a cada dia.

Naquela situação aflitiva, Saul tomou uma péssima decisão: mandou trazerem animais e fez, ele mesmo, um sacrifício. Ele não era sacerdote, não tinha esse direito. Então Samuel aparece e pergunta por que ele fez aquela loucura e Saul respondeu contando a situação em que se encontrava e que ficou angustiado porque ainda não tinha apaziguado a Deus, ou buscado o favor de Deus.

- O que você fez foi uma tolice - vaticinou Samuel energicamente. Uma tolice.

Saul havia sido escolhido para ser rei. Ele deveria saber o que é graça. Ele não tinha nada que o tornasse mais apto ao cargo. Era filho de uma casa insignificante da menor das tribos de Israel. Mesmo assim ele foi escolhido desse jeito, sem haver feito nada de muito notório para merecer a distinção. Pessoas atingidas pela graça jamais deveriam imaginar que precisam fazer algo para apaziguar a Deus ou para atrair Seu favor. Ele já foi dado. Já foi provado, com o sangue de Jesus. Querer convencer Deus a favorecê-lo é uma tolice, uma tolice trágica porque Saul ali perdeu seu status.

Você foi atingido pela graça. Pode não ser nenhum rei, mas Deus o escolheu quando você não merecia ser escolhido, mas esquecido. Então, como diz Yancey, não há nada que você possa fazer para Deus amá-lo mais. Não há nada que você possa fazer para Deus amá-lo menos.

Se as coisas vão mal (para mim, por exemplo, algumas coisas vão muito mal agora, estou pregando para mim mesmo, primeiro), não é hora de comprar o favor de Deus. É hora de confiar no Deus que já ama.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Juízes

No carro da frente, alguém joga uma lata de refrigerante pela janela. Do seu lado, uma menina usa minissaia rosa e uma bota de veludo marrom apesar do calor que faz. Do outro lado, tem um sujeito com tatuagem no rosto e uma quantia infindável de piercings e um sujeito casado nitidamente tentando cantar a moça de visual gótico. Há gente de todos os tipos, cores, formas e tamanhos ao nosso redor e, assim mesmo, Jesus diz: “não julgueis para que não sejais julgados” (Mateus 7:1).

O ato de julgar pressupõe três fases básicas: a fase de conhecimento , a fase de decisão e a fase da execução da sentença. Na primeira você reúne os elementos que influenciarão na decisão; a segunda é quando você decide se aqueles elementos todos resultam em um saldo positivo ou negativo; e a terceira é quando você em coerência com a decisão. Reunir os elementos e decidir se eles são bons ou maus é inevitável. Você não pode fugir das duas primeiras fases. É inevitável ter uma opinião sobre lixo pela janela, piercings, cafonice, canalhice, devoção religiosa, humildade, orgulho, preguiça, homossexualismo, simpatia, hipocrisia e tudo o mais que compõe a complexa fauna humana. Algumas coisas você achará boas, outras você achará ruins, e entre o extremo bom e o extremo ruim há muitos tons de cinza.

É na fase da execução que temos alguma liberdade de atuação. Podemos dar o veredito e condenar aquilo que achamos ruim ou seguir o conselho de Jesus e abster-se de julgar. Não julgar, portanto, é diferente de não ter uma opinião. A opinião está lá, mas você escolhe não executar a sentença. Em lugar disso, Jesus convida você a interceder.

Hebreus 7:25 afirma que Jesus “por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”. Ele é o nosso exemplo, nosso modelo; somos convidados a fazer a mesma coisa: em lugar de acusar, alienar, desprezar ou evitar aquilo que é moralmente mau, intercedemos por eles. Oramos por eles.

Muita energia se perde no meio cristão em acusar o pecado ou o afrouxamento das normas morais. Há muito dedo na cara e bons cristão dizem que isso é “chamar o pecado pelo nome”. “Haja em vós”, conclama o apóstolo Paulo, “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Filipenses 2:5). Melhor, muito melhor do que ser um revelador do pecado é ser aquele que ora para que o pecado cesse.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Super poderes

Mãe, começou o filho de 5 anos de uma amiga, o Jesus tem muito poder, não é? É, filho. Ele pode fritar uma pessoa com raios se quiser, não é, mãe? Ele pode dar um soco muito forte em alguém e voar, não pode? Enquanto a mãe pensava na resposta mais tecnicamente correta, ele chegou onde pretendia desde o começo: você acha que se eu pedir bastante Ele não pode me dar uns poderes, mãe?

A Bíblia diz que Deus distribui entre todos que O seguem alguns dons. Nas listas de dons que encontramos na Bíblia não achamos voar, fritar pessoas, super força, ficar invisível ou em chamas, para tristeza de meninos que curtem super heróis. Em lugar disso há coisas bem mais sutis como ensinar, orar e profetizar. Paulo diz que devemos procurar com afinco os melhores dons, mas há um risco grande aqui. Podemos estar buscando os dons com motivos muito parecidos com os do menino que quer superpoderes.

João é um bom exemplo a ser seguido, nesse contexto. Foram-lhe dado grandes dons. Ele pregava com poder, tinha um discernimento prodigioso do certo e do errado, conseguia julgar as pessoas com uma sabedoria sobrehumana. Multidões afluíam até ele para ouvi-lo falar e para serem batizadas por ele. Até que veio Jesus e aí a assistência de João começou a minguar. Seus seguidores disseram: ei, aquele que você batizou está fazendo concorrência para você! Ele respondeu: Convém que ele cresça e que eu diminua (João 3:30).

João sabia que seus dons tinham um propósito e esse propósito era apontar e engrandecer a Cristo. Muitos cristãos não sabem disso. Eles buscam “os melhores dons” porque são aqueles que os colocam em maior evidência. A popularidade e a fama que advém do exercício de dons espirituais podem ser tão sedutoras quanto as que vêm do exercício dos talentos mais mundanos.

Se não temos em mente o propósito dos dons, estamos em perigo de persegui-los por motivos mesquinhos e egoístas. Seu exercício será uma catástrofe, então. Oswald Chambers observou que “se você se torna uma necessidade para uma alma, você está fora da ordem de Deus... Bondade e pureza nunca deveriam atrair atenção para si próprios, mas deveriam simplesmente atuar como imãs que conduzem a Jesus Cristo”. Na mosca. O afã de ser especial, de ser imprescindível para alguém pode obnubilar nosso objetivo real. Nossos dons deveriam conduzir as pessoas a desenvolver uma relação pessoal com Jesus, passando a dependerem dEle e só dEle para tudo.

Ou, como João ilustrou: “O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim” (João 3:29). Que a noiva e o noive se beijem. Nosso papel é apresentá-los.