Jacó ganhou seu nome, que significa “suplantador”, ou “mentiroso”, quando nasceu agarrado ao calcanhar de seu irmão gêmeo, Esaú. Ele fez jus ao nome quando comprou do irmão faminto seu direito de primogenitura, pagando por isso um prato fumegante de lentilhas e também quando se travestiu de Esaú para enganar seu pai Isaque e receber a benção que era, por direito, de Esaú. Ganhou a benção, mas a consequência imediata dela foi ter de fugir para muito longe, onde a ira de seu irmão ludibriado não poderia alcançá-lo.
Agora Jacó está retornando para casa. Ele atravessou o Jaboque da primeira vez apenas com um cajado e agora está retornando com muitos servos, uma família grande e muito gado. Ele manda servos à frente para levar presentes ao irmão e esses servos voltam dizendo que Esaú está a caminho, e com ele 400 homens.
Jacó se angustia. Separa sua caravana em dois grupos para que pelo menos um deles seja poupado e fica sozinho, orando, reconhecendo que não era digno de estar ali com tantas bênçãos materiais e lembrando a Deus as promessas que lhe fizera. De repente aparece alguém e Jacó começa a lutar com o estranho. Ele luta por um longo tempo com o próprio Jesus e, quando percebe que estivera lutando com alguém que não era humano, agarra-o e reclama uma benção.
É nesse instante que ouvimos outra das inquietantes perguntas de Deus: qual é o seu nome? Ele sabia muito bem o nome de Jacó, então por que a pergunta? Bem, da primeira vez que Jacó obtivera uma benção fora na base da mentira. Ele agora está reclamando outra, mas Deus quer que ele comece reconhecendo quem ele é. Jacó precisa responder perante Deus, em alto e bom som, que ele é um suplantador, um mentiroso. É ali,na sequência, que Deus muda seu nome para Israel, ou “aquele que luta com Deus”.
Deus hoje sai ao nosso encontro com a mão cheia de bênçãos e uma ideia a nosso respeito que é muito mais alta do que a que nós mesmos fazemos. Mas é preciso que reconheçamos nosso erro. Que admitamos quem somos de fato. Que tiremos a máscara que colocamos para os outros verem, a máscara de respeitabilidade, de santidade. É preciso responder com nosso nome real antes de recebermos um outro nome, muito melhor. Este é o primeiro passo da jornada para cima, sem confissão não há perdão.
Se você anda lutando com Deus, responda-Lhe quem é você de verdade. E então levante-se como nova criatura.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Quem pergunta quer ensinar 2
A segunda das curiosas perguntas que Deus faz e que estão registradas na Bíblia aparece logo no capítulo seguinte, Gênesis 4:7: Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? E por que está descaído o teu semblante? Caim estava furioso porque Deus havia aceito o sacrifício de Abel e não o dele.
Abel havia sacrificado aquilo que Deus havia exigido, um cordeiro, como lembrete de que a solução para o problema da humanidade envolvia a morte de um inocente. Caim levou frutas de seu pomar. Não havia problemas em levar algo que Deus não havia pedido. Ele gosta de tudo que levamos a Ele, como gostou do vidro de alabastro caríssimo que foi derramado em seus pés na casa de Simão. O problema é deixar de levar aquilo que Ele solicita. Caim não levou, se enfureceu e Deus arrazoou com ele: é razoável você se enfurecer por isso?
Mas a pergunta vital de Deus para Caim aparece depois que ele assassina Abel: Onde está Abel, teu irmão? (verso9). Deus sabia muito bem onde Abel estava, não precisava da resposta de Caim. O que Ele queria com a pergunta? E por que não perguntou apenas onde estava Abel, mas acrescentou “teu irmão”? Ao pensar no que responderia, Caim seria forçado a se dar conta do que fizera: assassinara um homem; e a quem fizeram: o homem era seu irmão! Ao perguntar aquilo Deus parecia querer que Caim admitisse o tamanho da atrocidade que havia cometido e para a qual estava avisado pelo próprio Deus.
Caim respondeu: acaso sou eu guardador do meu irmão? Ele escolheu ignorar o fato, insistir na tentativa de enganar o próprio Deus.
Bem, hoje ainda Deus sai ao nosso encontro e nos pergunta “onde está o teu irmão?” Podemos imitar Caim. Podemos dar de ombros e dizer “ema, ema, cada um com seus problema”. Podemos ignorar que fomos chamados para pertencer a um corpo, um corpo no qual nenhum membro esquece a existência do outro membro. “Desse modo não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras.Se uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela. Se uma é elogiada, todas as outras se alegram com ela.” (I Coríntios 12:25 e 26).
Ou podemos fazer diferente, porque Caim não é uma boa pessoa para ser imitada. “Portanto, animem e ajudem uns aos outros, como vocês têm feito até agora... Pedimos a vocês, irmãos, que aconselhem com firmeza os preguiçosos, dêem coragem aos tímidos, ajudem os fracos na fé e tenham paciência com todos.” (I Tessalonicenses 5:11 e 14).
Onde está o teu irmão? Aquele que costumava sentar perto de você na igreja, talvez? Onde está?
Abel havia sacrificado aquilo que Deus havia exigido, um cordeiro, como lembrete de que a solução para o problema da humanidade envolvia a morte de um inocente. Caim levou frutas de seu pomar. Não havia problemas em levar algo que Deus não havia pedido. Ele gosta de tudo que levamos a Ele, como gostou do vidro de alabastro caríssimo que foi derramado em seus pés na casa de Simão. O problema é deixar de levar aquilo que Ele solicita. Caim não levou, se enfureceu e Deus arrazoou com ele: é razoável você se enfurecer por isso?
Mas a pergunta vital de Deus para Caim aparece depois que ele assassina Abel: Onde está Abel, teu irmão? (verso9). Deus sabia muito bem onde Abel estava, não precisava da resposta de Caim. O que Ele queria com a pergunta? E por que não perguntou apenas onde estava Abel, mas acrescentou “teu irmão”? Ao pensar no que responderia, Caim seria forçado a se dar conta do que fizera: assassinara um homem; e a quem fizeram: o homem era seu irmão! Ao perguntar aquilo Deus parecia querer que Caim admitisse o tamanho da atrocidade que havia cometido e para a qual estava avisado pelo próprio Deus.
Caim respondeu: acaso sou eu guardador do meu irmão? Ele escolheu ignorar o fato, insistir na tentativa de enganar o próprio Deus.
Bem, hoje ainda Deus sai ao nosso encontro e nos pergunta “onde está o teu irmão?” Podemos imitar Caim. Podemos dar de ombros e dizer “ema, ema, cada um com seus problema”. Podemos ignorar que fomos chamados para pertencer a um corpo, um corpo no qual nenhum membro esquece a existência do outro membro. “Desse modo não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras.Se uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela. Se uma é elogiada, todas as outras se alegram com ela.” (I Coríntios 12:25 e 26).
Ou podemos fazer diferente, porque Caim não é uma boa pessoa para ser imitada. “Portanto, animem e ajudem uns aos outros, como vocês têm feito até agora... Pedimos a vocês, irmãos, que aconselhem com firmeza os preguiçosos, dêem coragem aos tímidos, ajudem os fracos na fé e tenham paciência com todos.” (I Tessalonicenses 5:11 e 14).
Onde está o teu irmão? Aquele que costumava sentar perto de você na igreja, talvez? Onde está?
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Quem pergunta quer ensinar 1
Deus é onisciente. Exemplificando: isso significa que Ele sabe muito bem como vai o seu pâncreas nesse momento. Ele sabe como vai o seu pâncreas, o seu fígado, o baço, o pulmão, o coração, o cérebro, as córneas e quantos fios de cabelo há na sua cabeça. Ele sabe isso tudo a respeito não só de você mas de todas as pessoas que estão vivas na Terra neste instante. Ele sabe isto tudo não só sobre todas as pessoas vivas mas também sobre todas que já morreram e sobre as que ainda vão existir. Afirmar que Deus é onisciente vai muito além do alcance de nosso intelecto limitado. Ainda assim, encontramos uma série de perguntas feitas por Deus na Bíblia e, se Deus é onisciente, aqui não se aplica a expressão “quem pergunta quer saber”. O que Deus pretende ao fazer perguntas a seres humanos?
A primeira delas aparece no capítulo 3 de Gênesis: “Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: onde estás?” Naquele instante, Adão e Eva estavam escondidos no jardim, atrás de algum arbusto. Nas mãos tinham folhas de figueira, que tentavam costurar estabanadamente para cobrir sua nudez; nudez que eles acreditavam que era a fonte do desconforto que sentiam. Não era, claro. A fonte daquela angústia era a separação de Deus ao escolher outra coisa qualquer quando havia um “assim diz o Senhor” apontando em outra direção. Eles foram os primeiros a descobrir que quando estamos separados de Deus não temos paz, temos um buraco no peito.
Quando Deus perguntou “onde estão vocês?”, o que deve ter acontecido no íntimo de Adão e Eva? Aquela pergunta foi a forma sábia de Deus de confrontar o primeiro casal com a verdade avassaladora: veja onde estou, veja onde eu vim parar – estou longe de meu Criador, estou me escondendo dEle!
Deus fez vestes de pele para que eles se cobrissem. Era como se dissesse: “só Eu resolvo o seu problema. Sua tentativa de dar um jeito na situação é ridícula, ridículo como andar vestido com folhas de figueira. Isso não são roupas, veja, eu dou roupa de verdade a vocês, roupa que custa a vida de um inocente”.
A pergunta que cortou o silêncio naquela tarde no Eden cortou também o coração de nossos pais. A pergunta que Deus fez confrontou-os com o que haviam feito, com a escolha que tinham feito, com o lugar para onde ela os havia levado e com a estupidez que é revoltar-se com Aquele que os havia feito para serem felizes.
Gosto de pensar que, da mesma forma como Deus não desistiu de Seus primeiros filhos quando eles Lhe viraram as costas, fizeram o que Ele havia falado para não fazerem e se esconderam dEle, ao contrário, foi atrás deles e os chamou, bem, gosto de pensar que Deus não desiste de mim e que às vezes Ele me pergunta “onde você está?”
Ele tem a solução do seu problema nas mãos e pergunta: onde você está? Ele não precisa da resposta, porque Ele sabe onde você está. Ele quer que você descubra isso.
A primeira delas aparece no capítulo 3 de Gênesis: “Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: onde estás?” Naquele instante, Adão e Eva estavam escondidos no jardim, atrás de algum arbusto. Nas mãos tinham folhas de figueira, que tentavam costurar estabanadamente para cobrir sua nudez; nudez que eles acreditavam que era a fonte do desconforto que sentiam. Não era, claro. A fonte daquela angústia era a separação de Deus ao escolher outra coisa qualquer quando havia um “assim diz o Senhor” apontando em outra direção. Eles foram os primeiros a descobrir que quando estamos separados de Deus não temos paz, temos um buraco no peito.
Quando Deus perguntou “onde estão vocês?”, o que deve ter acontecido no íntimo de Adão e Eva? Aquela pergunta foi a forma sábia de Deus de confrontar o primeiro casal com a verdade avassaladora: veja onde estou, veja onde eu vim parar – estou longe de meu Criador, estou me escondendo dEle!
Deus fez vestes de pele para que eles se cobrissem. Era como se dissesse: “só Eu resolvo o seu problema. Sua tentativa de dar um jeito na situação é ridícula, ridículo como andar vestido com folhas de figueira. Isso não são roupas, veja, eu dou roupa de verdade a vocês, roupa que custa a vida de um inocente”.
A pergunta que cortou o silêncio naquela tarde no Eden cortou também o coração de nossos pais. A pergunta que Deus fez confrontou-os com o que haviam feito, com a escolha que tinham feito, com o lugar para onde ela os havia levado e com a estupidez que é revoltar-se com Aquele que os havia feito para serem felizes.
Gosto de pensar que, da mesma forma como Deus não desistiu de Seus primeiros filhos quando eles Lhe viraram as costas, fizeram o que Ele havia falado para não fazerem e se esconderam dEle, ao contrário, foi atrás deles e os chamou, bem, gosto de pensar que Deus não desiste de mim e que às vezes Ele me pergunta “onde você está?”
Ele tem a solução do seu problema nas mãos e pergunta: onde você está? Ele não precisa da resposta, porque Ele sabe onde você está. Ele quer que você descubra isso.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
As duas últimas disciplinas: guia e celebração
As duas últimas disciplinas sobre que Foster escreve são as disciplinas da condução divina (guia) e a da celebração.
Estamos acostumados a procurar a condução divina num âmbito individual, mas Foster se refere a um outro tipo de guia, aquela que conduz coletivamente um corpo de crentes. Assim como o povo de Israel era guiado pela coluna de fogo à noite e pela nuvem de dia, assim como a igreja primitiva era guiada pelo Espírito Santo, podemos ter a experiência de ser conduzidos corporativamente.
Não se trata do tipo de condução denominacional a que estamos acostumados, em que alguns delegados e pastores votam esta ou aquela proposta, mas o tipo de experiência retratada em passagens como Mateus 18:19 e 20 e Atos 13:1-3. Algumas igrejas têm o costume de, após uma reunião de oração, meditação e louvor, talvez após algum tempo de jejum, abrir espaço para que qualquer membro que queira partilhe com os outros sua visão a respeito de um novo ministério ou alguma iniciativa que na qual ele próprio gostaria de se envolver. Qualquer outro membro então pode se aproximar e “testar o chamado”, inquirindo e orando até ver se não se trata de um entusiasmo passageiro.
A verdade é que passamos tempo demais na igreja e meditamos muito pouco em qual é a missão dela, para que ela serve, qual a sua finalidade. Se praticássemos a Disciplina da busca da condução divina em um âmbito coletivo, não correríamos o risco de tirar a igreja dos trilhos, de errar o alvo para o qual Deus a suscitou.
Por fim, temos a Disciplina da celebração. Em minha igreja, a Santa Ceia é um evento solene. Há todo um processional, a igreja permanece em silêncio, a música costuma ser grave e meditativa. Um dia um pastor visitante tentou dar-lhe um ar mais alegre, argumentando que aquele era um momento de festa, mas ele não teve muito sucesso. A seus rompantes eufóricos a igreja respondia com testa franzida.
Eu amo as Santas Ceias de minha igreja, são sempre um momento de reflexão e de reatamento dos laços que inauguramos um dia e confirmamos no batismo, mas sinto falta da celebração. Sinto falta de momentos em que podemos ser alegres pela redenção que já aconteceu e vai se consumar em breve.
Em II Crônicas 20 vemos como a festa começou antes do livramento acontecer, começou quando ele foi anunciado. Da mesma forma há um momento em que temos que jogar fora toda ansiedade, toda preocupação, e celebrar porque já somos alvos das maiores bênçãos. Como diz Augustine de Hippo, “o cristão deveria ser uma aleluia dos pés à cabeça”.
A celebração é a última Disciplina porque é a ela que as outras todas conduzem. Alegria é um fruto do Espírito. As outras disciplinas todas servem para nos levar à mais importante de todas as experiências, aquela que pode ser apontada como o sentido da vida: a experiência de aprender a confiar em Deus. E quem confia em Deus é alegre, é leve, celebra.
Minha igreja nasceu no auge do racionalismo do século XIX e por isso, toda forma de expressão de alegria, que é emocional e não racional, é visto com desconfiança. Cantar tirando os pés do lugar já deixa muita gente se coçando. Para piorar, nos últimos tempos têm surgido igrejas que enfatizam demais as emoções e o êxtase e que têm uma teologia distorcida, então toda manifestação de alegria cheira a isso. Bem, temos muito a aprender. Se meus filhos ao receberem presentes respondessem com o tipo de alegria que estamos acostumados a mostrar em nosso culto, eu ficaria extremamente frustrado.
Ao ser confrontado com a magnitude da salvação, louve, cante, celebre. Aja em harmonia com o que você sente, porque Deus se agrada de quem é honesto com o que sente!
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 08/07/11
Estamos acostumados a procurar a condução divina num âmbito individual, mas Foster se refere a um outro tipo de guia, aquela que conduz coletivamente um corpo de crentes. Assim como o povo de Israel era guiado pela coluna de fogo à noite e pela nuvem de dia, assim como a igreja primitiva era guiada pelo Espírito Santo, podemos ter a experiência de ser conduzidos corporativamente.
Não se trata do tipo de condução denominacional a que estamos acostumados, em que alguns delegados e pastores votam esta ou aquela proposta, mas o tipo de experiência retratada em passagens como Mateus 18:19 e 20 e Atos 13:1-3. Algumas igrejas têm o costume de, após uma reunião de oração, meditação e louvor, talvez após algum tempo de jejum, abrir espaço para que qualquer membro que queira partilhe com os outros sua visão a respeito de um novo ministério ou alguma iniciativa que na qual ele próprio gostaria de se envolver. Qualquer outro membro então pode se aproximar e “testar o chamado”, inquirindo e orando até ver se não se trata de um entusiasmo passageiro.
A verdade é que passamos tempo demais na igreja e meditamos muito pouco em qual é a missão dela, para que ela serve, qual a sua finalidade. Se praticássemos a Disciplina da busca da condução divina em um âmbito coletivo, não correríamos o risco de tirar a igreja dos trilhos, de errar o alvo para o qual Deus a suscitou.
Por fim, temos a Disciplina da celebração. Em minha igreja, a Santa Ceia é um evento solene. Há todo um processional, a igreja permanece em silêncio, a música costuma ser grave e meditativa. Um dia um pastor visitante tentou dar-lhe um ar mais alegre, argumentando que aquele era um momento de festa, mas ele não teve muito sucesso. A seus rompantes eufóricos a igreja respondia com testa franzida.
Eu amo as Santas Ceias de minha igreja, são sempre um momento de reflexão e de reatamento dos laços que inauguramos um dia e confirmamos no batismo, mas sinto falta da celebração. Sinto falta de momentos em que podemos ser alegres pela redenção que já aconteceu e vai se consumar em breve.
Em II Crônicas 20 vemos como a festa começou antes do livramento acontecer, começou quando ele foi anunciado. Da mesma forma há um momento em que temos que jogar fora toda ansiedade, toda preocupação, e celebrar porque já somos alvos das maiores bênçãos. Como diz Augustine de Hippo, “o cristão deveria ser uma aleluia dos pés à cabeça”.
A celebração é a última Disciplina porque é a ela que as outras todas conduzem. Alegria é um fruto do Espírito. As outras disciplinas todas servem para nos levar à mais importante de todas as experiências, aquela que pode ser apontada como o sentido da vida: a experiência de aprender a confiar em Deus. E quem confia em Deus é alegre, é leve, celebra.
Minha igreja nasceu no auge do racionalismo do século XIX e por isso, toda forma de expressão de alegria, que é emocional e não racional, é visto com desconfiança. Cantar tirando os pés do lugar já deixa muita gente se coçando. Para piorar, nos últimos tempos têm surgido igrejas que enfatizam demais as emoções e o êxtase e que têm uma teologia distorcida, então toda manifestação de alegria cheira a isso. Bem, temos muito a aprender. Se meus filhos ao receberem presentes respondessem com o tipo de alegria que estamos acostumados a mostrar em nosso culto, eu ficaria extremamente frustrado.
Ao ser confrontado com a magnitude da salvação, louve, cante, celebre. Aja em harmonia com o que você sente, porque Deus se agrada de quem é honesto com o que sente!
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 08/07/11
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A décima disciplina: louvor
“Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças” (Marcos 12:30). Este mandamento é prefaciado por Jesus com estas palavras: “O mais importante é este” (v. 29). Note que, embora o louvor tenha sido posicionado aqui nesta sequência depois da disciplina do serviço, ele vem antes. A prioridade divina é o louvor, serviço vem depois. Você primeiro ama a Deus (e quem ama expressa o amor, não existe amor calado), depois você ama o seu próximo.
Outra importante afirmação de Jesus é: “Está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura” (João 4:23). Confesso que até esta manhã eu nunca havia reparado na frase com que este verso termina. Jesus afirma claramente que Deus está à procura de adoradores.
Primeiro porque a adoração a Deus é uma questão de justiça. Ele merece ser adorado, por tudo o que é e por tudo o que fez, faz e fará. Segundo, porque a adoração é a resposta que podemos dar a tudo o que Ele fez, faz e fará. Como diz Foster, “No Gênesis, Deus andou no jardim, procurando por Adão e Eva. Na crucifixão, Jesus atraiu todos os homens para Ele (João 12:32). As Escrituras estão repletas de exemplos dos esforços divinos para iniciar, restaurar e manter o companheirismo com seus filhos”. O louvor é a resposta que damos a esses esforços. Ou, como afirma Valdecir Lima, em uma de suas inspiradas poesias, “o louvor é o sorriso da alma”.
Importante destacar que louvor não é sinônimo de cantar e cantar, mesmo hinos, está longe de ser sinônimo de louvor. Em “Viagem ao Sobrenatural”, Roger Mournau narra o culto a Satanás de que participou em uma igreja satanista. Ele se surpreendeu com o fato de eles cantarem os mesmos hinos que se cantam em uma igreja cristã, sem sequer mudar a letra. Aquilo era ofensivo a Deus, lhe explicaram. Para Ellen G. White, nada é mais ofensivo a Deus do que um louvor descuidado, em que o adorador não está “fazendo melodia em seu coração”. Porque adoração é uma coisa que só faz sentido se for em espírito e em verdade. Se sua mente e seu espírito estiverem naquilo. Se for de outra forma, não será adoração, não será louvor. Será uma afronta ao Criador.
Você pode adorar a Deus apenas meditando nos nomes que lhe são dados na Bíblia, ou os recitando em voz alta. Você pode adorar a Deus com música. Você pode adorar a Deus com uma atitude de gratidão sobre tudo, até mesmo pela criança que não para de chorar na igreja (porque é bom que haja crianças na igreja e é bom que elas estejam vivas e sejam normais!).
O louvor é central, e o melhor: é uma disciplina que você pode desenvolver em conjunto. Você pode convidar alguém para adorar com você. É estranho que façamos reuniões para estudar a Bíblia, reuniões para orar, mas dificilmente façamos reuniões só para louvar e adorar.
Há uma última coisa sobre louvor. A Bíblia mostra pessoas adorando em todas as posições e formas possíveis e imagináveis. Há gente adorando de joelhos, há gente adorando deitada, há gente adorando de pé, dançando e até mesmo vestido de saco e com cinzas na cabeça. Não há evidência de que Deus haja aceitado melhor aquela adoração do que esta. Você não sorri apenas com a boca e o louvor não requer de você apenas a voz e talvez um gesto de sobrancelha. Você só responde ao amor de Deus completamente se adorar com seu espírito e com seu corpo. Comendo ou bebendo, fazendo tudo para glória de Deus. O louvor não precisa ser, como se diz em muitas igrejas, “para nosso deleite espiritual”. É para seu deleite completo, porque o deleite do corpo não é pecado. Ofereça tudo o que você é em louvor a Deus.
Ficou difícil? Davi afirma: “preparado está o meu coração, ó Deus; cantarei e salmodiarei de toda a minha alma” (Salmo 108:1). Peça que Deus prepare seu coração e faça aquilo que você foi criado para fazer: adorar o Senhor.
Outra importante afirmação de Jesus é: “Está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura” (João 4:23). Confesso que até esta manhã eu nunca havia reparado na frase com que este verso termina. Jesus afirma claramente que Deus está à procura de adoradores.
Primeiro porque a adoração a Deus é uma questão de justiça. Ele merece ser adorado, por tudo o que é e por tudo o que fez, faz e fará. Segundo, porque a adoração é a resposta que podemos dar a tudo o que Ele fez, faz e fará. Como diz Foster, “No Gênesis, Deus andou no jardim, procurando por Adão e Eva. Na crucifixão, Jesus atraiu todos os homens para Ele (João 12:32). As Escrituras estão repletas de exemplos dos esforços divinos para iniciar, restaurar e manter o companheirismo com seus filhos”. O louvor é a resposta que damos a esses esforços. Ou, como afirma Valdecir Lima, em uma de suas inspiradas poesias, “o louvor é o sorriso da alma”.
Importante destacar que louvor não é sinônimo de cantar e cantar, mesmo hinos, está longe de ser sinônimo de louvor. Em “Viagem ao Sobrenatural”, Roger Mournau narra o culto a Satanás de que participou em uma igreja satanista. Ele se surpreendeu com o fato de eles cantarem os mesmos hinos que se cantam em uma igreja cristã, sem sequer mudar a letra. Aquilo era ofensivo a Deus, lhe explicaram. Para Ellen G. White, nada é mais ofensivo a Deus do que um louvor descuidado, em que o adorador não está “fazendo melodia em seu coração”. Porque adoração é uma coisa que só faz sentido se for em espírito e em verdade. Se sua mente e seu espírito estiverem naquilo. Se for de outra forma, não será adoração, não será louvor. Será uma afronta ao Criador.
Você pode adorar a Deus apenas meditando nos nomes que lhe são dados na Bíblia, ou os recitando em voz alta. Você pode adorar a Deus com música. Você pode adorar a Deus com uma atitude de gratidão sobre tudo, até mesmo pela criança que não para de chorar na igreja (porque é bom que haja crianças na igreja e é bom que elas estejam vivas e sejam normais!).
O louvor é central, e o melhor: é uma disciplina que você pode desenvolver em conjunto. Você pode convidar alguém para adorar com você. É estranho que façamos reuniões para estudar a Bíblia, reuniões para orar, mas dificilmente façamos reuniões só para louvar e adorar.
Há uma última coisa sobre louvor. A Bíblia mostra pessoas adorando em todas as posições e formas possíveis e imagináveis. Há gente adorando de joelhos, há gente adorando deitada, há gente adorando de pé, dançando e até mesmo vestido de saco e com cinzas na cabeça. Não há evidência de que Deus haja aceitado melhor aquela adoração do que esta. Você não sorri apenas com a boca e o louvor não requer de você apenas a voz e talvez um gesto de sobrancelha. Você só responde ao amor de Deus completamente se adorar com seu espírito e com seu corpo. Comendo ou bebendo, fazendo tudo para glória de Deus. O louvor não precisa ser, como se diz em muitas igrejas, “para nosso deleite espiritual”. É para seu deleite completo, porque o deleite do corpo não é pecado. Ofereça tudo o que você é em louvor a Deus.
Ficou difícil? Davi afirma: “preparado está o meu coração, ó Deus; cantarei e salmodiarei de toda a minha alma” (Salmo 108:1). Peça que Deus prepare seu coração e faça aquilo que você foi criado para fazer: adorar o Senhor.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
A nona disciplina: confissão
Um vento frio soprou no Eden. Ele era frio pela primeira vez e Adão e Eva sentiram-se arrepiados. Aquilo incrementou a estranha sensação que lhes estava devorando por dentro e que eles interpretaram como vindo do fato de estarem nus. Naquele momento, logo após pecarem, inaugurou-se um dos sentimentos mais universais da raça humana: o buraco no peito cavado pela culpa.
A culpa pode ser muito eficiente para manter pessoas na linha, mas tem desgraçado a vida de milhões e milhões de pessoas ao longo dos séculos. Eu não me admiraria se no Céu ficássemos sabendo que a culpa está na gênese das doenças que mais mataram pessoas ao longo da História. A culpa inviabiliza a felicidade e só por isso não pode ser um sentimento de que Deus gosta. Não o Deus que ama perdidamente e que salta das páginas de minha Bíblia. Deus odeia a culpa.
Para erradicá-la, haveria duas formas básicas de lidar com ela. A primeira seria diminuir o tamanho do erro. Dizer que ninguém é perfeito mesmo, que ninguém é de ferro, que o pecado não é tão terrível. Essa é a forma como a maioria das pessoas lida com a culpa, mas definitivamente não foi esse o caminho escolhido por Deus. Ele escolheu o perdão. Ele assegurou o perdão. Ele encarnou e Se deixou matar para garantir que a sua e a minha culpas sejam anuladas pelo sofrimento que Ele próprio sofreu.
Mas Ele também sabe que temos dificuldades sérias para aceitar isso. Por isso Ele inventou a confissão dos pecados.
A confissão é uma atitude de nominar nossos atos ou pensamentos pecaminosos. Obviamente, para ser eficaz ela não pode ser um ritual oco, uma coisa que você faz e pronto. Tem que haver sinceridade nisso. Tem que ver autoanálise, tristeza profunda por haver errado e determinação para não tornar a fazer.
A primeira pessoa a quem devemos confessar os pecados é Deus, claro. “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Timóteo 2:5). Nosso perdão não depende de uma outra pessoa qualquer além de Jesus Cristo conhecer o pecado e ouvir nossa confissão. Mas Deus sabe que temos dificuldades em crer nisso, por isso também nos orientou: “Confessai... os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados” (Tiago 5:16).
Quem não é católico tem dificuldades com essa ideia de confessar os pecados a outras pessoas, mas está lá na Bíblia. A ideia de que nosso único mediador e sacerdote é Jesus não exclui a dica para termos momentos de confissão com outras pessoas. A intenção é tornar o perdão palpável, visível.
A rigor, qualquer membro do corpo de Cristo estaria apto a ouvir uma confissão, mas a verdade é que devemos escolher bem nosso confessor. Como diz Foster, é um fato da vida que nem todos teriam o grau de empatia para ouvir, nem todos saberiam guardar o que ouviram como confidência, nem todos teriam maturidade para ouvir o que temos a dizer. Devemos orar pedindo que Deus nos indique a pessoa certa. Pode ser um pastor ou uma outra pessoa que dê mostras de levar uma vida fervorosa, com maturidade espiritual e sabedoria.
Foster diz que, impressionado por essa mensagem, resolveu, em oração, fazer uma lista de pecados que demandam confissão, desde sua infância, passando pela adolescência, juventude e fase adulta. Foi difícil ler aquela lista para o amigo que ele escolheu como confessor, mas ao final, engolindo seco, estava para devolver a lista para sua pasta quando o amigo o interrompeu, tomou o papel e o partiu em pedacinhos minúsculos jogando tudo na lixeira em seguida. Ele diz que não houve nenhum sentimento arrebatador, mas aquele gesto tornou o perdão uma certeza para ele.
Deus quer Seus filhos curados. Não deveríamos rejeitar nenhum dos remédios que Ele nos disponibilizou para isso.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 24/06/11
A culpa pode ser muito eficiente para manter pessoas na linha, mas tem desgraçado a vida de milhões e milhões de pessoas ao longo dos séculos. Eu não me admiraria se no Céu ficássemos sabendo que a culpa está na gênese das doenças que mais mataram pessoas ao longo da História. A culpa inviabiliza a felicidade e só por isso não pode ser um sentimento de que Deus gosta. Não o Deus que ama perdidamente e que salta das páginas de minha Bíblia. Deus odeia a culpa.
Para erradicá-la, haveria duas formas básicas de lidar com ela. A primeira seria diminuir o tamanho do erro. Dizer que ninguém é perfeito mesmo, que ninguém é de ferro, que o pecado não é tão terrível. Essa é a forma como a maioria das pessoas lida com a culpa, mas definitivamente não foi esse o caminho escolhido por Deus. Ele escolheu o perdão. Ele assegurou o perdão. Ele encarnou e Se deixou matar para garantir que a sua e a minha culpas sejam anuladas pelo sofrimento que Ele próprio sofreu.
Mas Ele também sabe que temos dificuldades sérias para aceitar isso. Por isso Ele inventou a confissão dos pecados.
A confissão é uma atitude de nominar nossos atos ou pensamentos pecaminosos. Obviamente, para ser eficaz ela não pode ser um ritual oco, uma coisa que você faz e pronto. Tem que haver sinceridade nisso. Tem que ver autoanálise, tristeza profunda por haver errado e determinação para não tornar a fazer.
A primeira pessoa a quem devemos confessar os pecados é Deus, claro. “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Timóteo 2:5). Nosso perdão não depende de uma outra pessoa qualquer além de Jesus Cristo conhecer o pecado e ouvir nossa confissão. Mas Deus sabe que temos dificuldades em crer nisso, por isso também nos orientou: “Confessai... os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados” (Tiago 5:16).
Quem não é católico tem dificuldades com essa ideia de confessar os pecados a outras pessoas, mas está lá na Bíblia. A ideia de que nosso único mediador e sacerdote é Jesus não exclui a dica para termos momentos de confissão com outras pessoas. A intenção é tornar o perdão palpável, visível.
A rigor, qualquer membro do corpo de Cristo estaria apto a ouvir uma confissão, mas a verdade é que devemos escolher bem nosso confessor. Como diz Foster, é um fato da vida que nem todos teriam o grau de empatia para ouvir, nem todos saberiam guardar o que ouviram como confidência, nem todos teriam maturidade para ouvir o que temos a dizer. Devemos orar pedindo que Deus nos indique a pessoa certa. Pode ser um pastor ou uma outra pessoa que dê mostras de levar uma vida fervorosa, com maturidade espiritual e sabedoria.
Foster diz que, impressionado por essa mensagem, resolveu, em oração, fazer uma lista de pecados que demandam confissão, desde sua infância, passando pela adolescência, juventude e fase adulta. Foi difícil ler aquela lista para o amigo que ele escolheu como confessor, mas ao final, engolindo seco, estava para devolver a lista para sua pasta quando o amigo o interrompeu, tomou o papel e o partiu em pedacinhos minúsculos jogando tudo na lixeira em seguida. Ele diz que não houve nenhum sentimento arrebatador, mas aquele gesto tornou o perdão uma certeza para ele.
Deus quer Seus filhos curados. Não deveríamos rejeitar nenhum dos remédios que Ele nos disponibilizou para isso.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 24/06/11
sexta-feira, 17 de junho de 2011
A oitava disciplina: serviço
E aí Jesus aparece com essa história de que os primeiros serão os últimos, de que se alguém nos força a andar uma milha devemos andar duas, de que quem quiser ser honrado seja quem mais serve os demais. E ilustra o ponto tirando seu manto, colocando uma toalha no ombro e se ajoelhando para lavar os pés dos atônitos discípulos. Eles deveriam estar acostumados com o fato de seu Mestre subverter as ideias preconcebidas e bem aceitas na sociedade sobre um monte de coisas, mas esse ponto realmente os pegou de surpresa.
A sétima disciplina falava sobre submissão e eu não dei muitas dicas práticas de como exercitar essa difícil disciplina. Bem, uma forma de alcançar submissão é praticar a disciplina do serviço. E não é só submissão que se ganha fazendo isso. Você sabe, por exemplo, que uma das virtudes centrais da ética cristã é a humildade, mas como se consegue humildade? Não dá para você se esforçar para ser humilde. A humildade é algo que, se você acha que tem, não tem. Então devemos cruzar os braços e esperar que um dia a humildade caia dos céus sobre nós? Não, devemos servir. O caminho para a humildade passa pelo serviço. E o serviço tem outros efeitos colaterais positivos. Foster escreve que “nada disciplina os desordenados desejos de nossa carne como o serviço, e nada transforma os desejos da carne como o serviço anônimo”; por outras palavras, o serviço é a cura para o pior dos nossos males: o egoísmo.
Importante salientar que o cristão não serve o outro para alcançar o que quer que seja. O serviço é um fim em si mesmo. Você não serve para melhorar sua ficha no Céu, ou para alcançar humildade ou o que quer que seja. Você serve porque o outro precisa de você. O serviço é o alvo. Você serve porque conheceu a Cristo, se apaixonou por Ele, entendeu as leis maiores que governam o Universo que Ele criou e tem prazer em estar em harmonia com elas. Para Deus, viver é sinônimo de ser útil ao outro, viver é servir e as maiores alegrias da vida estão associadas a oportunidades de serviço bem aproveitadas.
Mas disciplinas são coisas que nós fazemos e já vimos que o serviço que vale não pode ser coagido ou forçado. Então o que fazer? Bem, para servir precisamos orar pedindo a Deus que nos dê uma visão capaz de encontrar as oportunidades de serviço e nos dê o desejo de aproveitá-las. Foster exemplifica: há o serviço das pequenas coisas, como dar uma carona, ajudar a limpar uma caixa de água, etc; há o serviço de guardar a reputação de outros, evitando falar mal e desestimulando que outros o façam; há o serviço de permitir-se ser servido, abrindo ao outro a oportunidade de ser útil também; há o serviço da simples cortesia e o serviço da hospitalidade; há o serviço de ouvir alguém que precisa falar e o serviço de introduzir no coração de alguém a semente do evangelho.
Nosso trabalho é orar para que Deus nos faça atentos às oportunidades que temos hoje de servir e que nos ilumine no serviço.
A sétima disciplina falava sobre submissão e eu não dei muitas dicas práticas de como exercitar essa difícil disciplina. Bem, uma forma de alcançar submissão é praticar a disciplina do serviço. E não é só submissão que se ganha fazendo isso. Você sabe, por exemplo, que uma das virtudes centrais da ética cristã é a humildade, mas como se consegue humildade? Não dá para você se esforçar para ser humilde. A humildade é algo que, se você acha que tem, não tem. Então devemos cruzar os braços e esperar que um dia a humildade caia dos céus sobre nós? Não, devemos servir. O caminho para a humildade passa pelo serviço. E o serviço tem outros efeitos colaterais positivos. Foster escreve que “nada disciplina os desordenados desejos de nossa carne como o serviço, e nada transforma os desejos da carne como o serviço anônimo”; por outras palavras, o serviço é a cura para o pior dos nossos males: o egoísmo.
Importante salientar que o cristão não serve o outro para alcançar o que quer que seja. O serviço é um fim em si mesmo. Você não serve para melhorar sua ficha no Céu, ou para alcançar humildade ou o que quer que seja. Você serve porque o outro precisa de você. O serviço é o alvo. Você serve porque conheceu a Cristo, se apaixonou por Ele, entendeu as leis maiores que governam o Universo que Ele criou e tem prazer em estar em harmonia com elas. Para Deus, viver é sinônimo de ser útil ao outro, viver é servir e as maiores alegrias da vida estão associadas a oportunidades de serviço bem aproveitadas.
Mas disciplinas são coisas que nós fazemos e já vimos que o serviço que vale não pode ser coagido ou forçado. Então o que fazer? Bem, para servir precisamos orar pedindo a Deus que nos dê uma visão capaz de encontrar as oportunidades de serviço e nos dê o desejo de aproveitá-las. Foster exemplifica: há o serviço das pequenas coisas, como dar uma carona, ajudar a limpar uma caixa de água, etc; há o serviço de guardar a reputação de outros, evitando falar mal e desestimulando que outros o façam; há o serviço de permitir-se ser servido, abrindo ao outro a oportunidade de ser útil também; há o serviço da simples cortesia e o serviço da hospitalidade; há o serviço de ouvir alguém que precisa falar e o serviço de introduzir no coração de alguém a semente do evangelho.
Nosso trabalho é orar para que Deus nos faça atentos às oportunidades que temos hoje de servir e que nos ilumine no serviço.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
A sétima disciplina: submissão
Faça uma lista das coisas que você quer que aconteçam. Seus sonhos, metas e planos. Fez? Bem, agora, olhando para sua lista responda: você é feliz? Ou você depende que essas coisas que você pôs no papel para ser feliz. A disciplina da submissão nos ensina que precisamos de muito pouca coisa para sermos felizes. Ela nos ensina que as coisas não precisam ser do nosso jeito, na hora que desejamos. A disciplina da submissão nos liberta do pequeno tirano que temos enraizado em nosso coração.
A base bíblica para essa disciplina é muito extensa. Em Marcos 8:34 Jesus nos diz que se alguém quiser segui-lO, precisa primeiro negar-se a si mesmo. Em Mateus 10:39, Ele afirma que quem quiser ganhar sua vida vai perdê-la, e em Filipenses Paulo aponta para Cristo como um exemplo, alguém que “esvaziou-se a si mesmo” (2:4-7), alguém que afirmou que para sermos os primeiros deveríamos ser os últimos (Marcos 9:35), que se alguém nos batesse numa face deveríamos oferecer a outra e que se nos obrigassem a andar uma milha deveríamos andar duas (Mateus 5:39 e 41). Há recados para os escravos serem submissos a seus patrões (I Pedro 2:18) e para todos os cristãos serem submissos às autoridades civis (Romanos 13:1, entre outros). Difícil ignorar tantas setas apontando esse caminho!
Mas a disciplina da submissão requer maturidade. Submissão não é subserviência e a base para o amor ao próximo é o amor a si mesmo (Marcos 12:33). A submissão vai até ao limite da autodestruição. A disciplina da submissão não deveria ser ensejo para a manipulação e o abuso.
Submissão e liberdade andam juntas, por estranho que possa parecer a princípio. Quando Pedro afirma que o escravo deve ser submisso a seu patrão, ele está pregando uma forma radical de submissão. Que escolha tem o escravo? Ele é obrigado a ser submisso. Pedro está convidando o escravo a encarar a situação por uma ótica completamente nova. Se ele quiser ser submisso, ele está agindo livremente. Está exercitando seu livre arbítrio e imitando Seu Salvador. Por isso Camões disse que amar é servir a quem vence o vencedor, é você querer livremente ser um canal de bênçãos para os homens que o rodeiam.
Foster aponta sete oportunidades para demonstrar nossa sujeição do egoísmo e da nossa conveniência pessoal; devemos ser submissos a Deus, à Bíblia, a nossa família, a nosso vizinhos e as pessoas que nos cruzam o caminho, à comunidade da igreja, a quem está em dificuldades (os párias, espoliados, negligenciados, excluídos) e ao mundo do qual fazemos parte, embora muitas vezes a contragosto.
Esse é o caminho, andai por ele. Mas você quer saber como pode praticar a disciplina da submissão? Bem, espere até a semana que vem para conhecer mais sobre a disciplina do serviço.
A base bíblica para essa disciplina é muito extensa. Em Marcos 8:34 Jesus nos diz que se alguém quiser segui-lO, precisa primeiro negar-se a si mesmo. Em Mateus 10:39, Ele afirma que quem quiser ganhar sua vida vai perdê-la, e em Filipenses Paulo aponta para Cristo como um exemplo, alguém que “esvaziou-se a si mesmo” (2:4-7), alguém que afirmou que para sermos os primeiros deveríamos ser os últimos (Marcos 9:35), que se alguém nos batesse numa face deveríamos oferecer a outra e que se nos obrigassem a andar uma milha deveríamos andar duas (Mateus 5:39 e 41). Há recados para os escravos serem submissos a seus patrões (I Pedro 2:18) e para todos os cristãos serem submissos às autoridades civis (Romanos 13:1, entre outros). Difícil ignorar tantas setas apontando esse caminho!
Mas a disciplina da submissão requer maturidade. Submissão não é subserviência e a base para o amor ao próximo é o amor a si mesmo (Marcos 12:33). A submissão vai até ao limite da autodestruição. A disciplina da submissão não deveria ser ensejo para a manipulação e o abuso.
Submissão e liberdade andam juntas, por estranho que possa parecer a princípio. Quando Pedro afirma que o escravo deve ser submisso a seu patrão, ele está pregando uma forma radical de submissão. Que escolha tem o escravo? Ele é obrigado a ser submisso. Pedro está convidando o escravo a encarar a situação por uma ótica completamente nova. Se ele quiser ser submisso, ele está agindo livremente. Está exercitando seu livre arbítrio e imitando Seu Salvador. Por isso Camões disse que amar é servir a quem vence o vencedor, é você querer livremente ser um canal de bênçãos para os homens que o rodeiam.
Foster aponta sete oportunidades para demonstrar nossa sujeição do egoísmo e da nossa conveniência pessoal; devemos ser submissos a Deus, à Bíblia, a nossa família, a nosso vizinhos e as pessoas que nos cruzam o caminho, à comunidade da igreja, a quem está em dificuldades (os párias, espoliados, negligenciados, excluídos) e ao mundo do qual fazemos parte, embora muitas vezes a contragosto.
Esse é o caminho, andai por ele. Mas você quer saber como pode praticar a disciplina da submissão? Bem, espere até a semana que vem para conhecer mais sobre a disciplina do serviço.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A sexta disciplina: solitude
Uma coisa é estar solitário e outra coisa diferente é estar sozinho. Chamei esta disciplina de “A Disciplina da Solitude” porque, embora os dicionários afirmem que seu significado é o mesmo que solidão, pelo fato de ser muito menos utilizada posso me permitir atribuir-lhe um outro significado aqui. Solitude, então, seria estar sozinho sem estar, contudo, sofrendo por isso. A solidão é a mais perfeita antítese do caráter de Deus, não foi inventada por Ele, Ele quer bani-la do Universo, enfim, não tem nada a ver com Ele, mas a solitude tem. E muito.
Mais uma vez, o melhor exemplo que temos dessa disciplina posta em prática está no próprio Jesus. Para se preparar para Seu ministério, Ele passou quarenta dias sozinho (Mateus 4). Antes de escolher os discípulos, passou uma noite sozinho (Lucas 6:12) e depois de haver efetuado a multiplicação miraculosa dos pães, insistiu com Seus discípulos para ser deixado sozinho, em oração (Mateus 14:23). Apenas alguns poucos exemplos para demonstrar que nosso Mestre sistematicamente buscava a solitude.
O medo da solidão, cujo nome científico é isolofobia, é um dos mais fortes que existem e uma multidão incontável se sujeita a situações degradantes por causa dele. Além disso, vivemos em um tempo que não se dá muito bem como a solitude. É cada vez mais comum notarmos que perdemos o chão de sob os pés se não temos um fone de ouvidos, o rádio ligado, a TV ligada ou algum outro tipo de ruído que nos dê a sensação – de resto falsa – de que não estamos sós. Mas é imprescindível optar pela solitude e pelo silêncio, porque é ali que organizamos nossos pensamentos, é ali que reavaliamos nosso rumo, nossas metas e objetivos de vida, é ali que nos educamos para ser capazes de ouvir a voz de Deus. Aliás, solitude e silêncio são dois lados da mesma moeda, andam de mãos dadas e devemos nos habituar com eles, nos sentir confortáveis neles.
Schwantes, no clássico “Colunas do Caráter”, cita o psiquiatra Robert Lindner, afirmando que ele “deplora ‘o abandono daquela solidão que era ao mesmo tempo a marca da adolescência e a fonte de seus mais profundos desesperos e de seus êxtases cheios de dúvida. E frequentemente esta solidão era criadora. E dela por vezes surgiam sonhos, as esperanças e aspirações ascendentes que carregavam a vida daí em diante de significado, e contribuíam para nos dar poetas, artistas e cientistas... Mas a juventude de hoje trocou a solidão pelo estouro da boiada, pelo agrupamento predatório, pelas grandes coletividades que enterram, se não destroem a individualidade”.
A solitude pode ser uma disciplina, ou seja, algo que você faz, algo que você opera positivamente. Para mim o tema é especialmente espinhoso porque sou pai de dois meninos pequenos e tenho um círculo de amigos que é precioso demais para ser negligenciado e, por isso, demanda tempo e atenção. Assim mesmo, tenho alcançado algumas vitórias nesse campo, encontrando momentos em que posso estar sozinho e em silêncio. Alguns desses momentos são altamente improváveis: pode ser em um metrô lotado ou correndo de manhã antes de ir trabalhar. Mas funcionam maravilhosamente bem. Estar sozinho é uma habilidade de desligar o mundo e olhar para dentro de si, buscando encontrar ali os bilhetes que Deus deixou para que fossem lidos. Além disso, é importante projetar, de tempos em tempos, momentos mais extensos de solitude, talvez uma tarde, um domingo ou um final de semana.
Jesus está aí para ser imitado. Não é à toa que Ele busca estar sozinho com tanta frequência. Se fizermos como Ele, descobriremos refestelados porque. Mas é bom que O imitemos em tudo, inclusive no equilíbrio entre solitude e interação social que Ele praticava. A solitude é boa em doses moderadas, porque no mais das vezes Deus nos quer no meio das pessoas, aprendendo com elas, praticando o amor ágape com elas e sendo o sal da terra e a luz do mundo.
Mais uma vez, o melhor exemplo que temos dessa disciplina posta em prática está no próprio Jesus. Para se preparar para Seu ministério, Ele passou quarenta dias sozinho (Mateus 4). Antes de escolher os discípulos, passou uma noite sozinho (Lucas 6:12) e depois de haver efetuado a multiplicação miraculosa dos pães, insistiu com Seus discípulos para ser deixado sozinho, em oração (Mateus 14:23). Apenas alguns poucos exemplos para demonstrar que nosso Mestre sistematicamente buscava a solitude.
O medo da solidão, cujo nome científico é isolofobia, é um dos mais fortes que existem e uma multidão incontável se sujeita a situações degradantes por causa dele. Além disso, vivemos em um tempo que não se dá muito bem como a solitude. É cada vez mais comum notarmos que perdemos o chão de sob os pés se não temos um fone de ouvidos, o rádio ligado, a TV ligada ou algum outro tipo de ruído que nos dê a sensação – de resto falsa – de que não estamos sós. Mas é imprescindível optar pela solitude e pelo silêncio, porque é ali que organizamos nossos pensamentos, é ali que reavaliamos nosso rumo, nossas metas e objetivos de vida, é ali que nos educamos para ser capazes de ouvir a voz de Deus. Aliás, solitude e silêncio são dois lados da mesma moeda, andam de mãos dadas e devemos nos habituar com eles, nos sentir confortáveis neles.
Schwantes, no clássico “Colunas do Caráter”, cita o psiquiatra Robert Lindner, afirmando que ele “deplora ‘o abandono daquela solidão que era ao mesmo tempo a marca da adolescência e a fonte de seus mais profundos desesperos e de seus êxtases cheios de dúvida. E frequentemente esta solidão era criadora. E dela por vezes surgiam sonhos, as esperanças e aspirações ascendentes que carregavam a vida daí em diante de significado, e contribuíam para nos dar poetas, artistas e cientistas... Mas a juventude de hoje trocou a solidão pelo estouro da boiada, pelo agrupamento predatório, pelas grandes coletividades que enterram, se não destroem a individualidade”.
A solitude pode ser uma disciplina, ou seja, algo que você faz, algo que você opera positivamente. Para mim o tema é especialmente espinhoso porque sou pai de dois meninos pequenos e tenho um círculo de amigos que é precioso demais para ser negligenciado e, por isso, demanda tempo e atenção. Assim mesmo, tenho alcançado algumas vitórias nesse campo, encontrando momentos em que posso estar sozinho e em silêncio. Alguns desses momentos são altamente improváveis: pode ser em um metrô lotado ou correndo de manhã antes de ir trabalhar. Mas funcionam maravilhosamente bem. Estar sozinho é uma habilidade de desligar o mundo e olhar para dentro de si, buscando encontrar ali os bilhetes que Deus deixou para que fossem lidos. Além disso, é importante projetar, de tempos em tempos, momentos mais extensos de solitude, talvez uma tarde, um domingo ou um final de semana.
Jesus está aí para ser imitado. Não é à toa que Ele busca estar sozinho com tanta frequência. Se fizermos como Ele, descobriremos refestelados porque. Mas é bom que O imitemos em tudo, inclusive no equilíbrio entre solitude e interação social que Ele praticava. A solitude é boa em doses moderadas, porque no mais das vezes Deus nos quer no meio das pessoas, aprendendo com elas, praticando o amor ágape com elas e sendo o sal da terra e a luz do mundo.
A quinta disciplina: simplicidade
Antes de falar da quinta disciplina, talvez seja importante fazer uma pequena explicação: esta série de textos sobre as disciplinas cristãs nasceu da leitura do livro “Celebration of the disciplines”, de Richard J. Foster, que fiz há um ano e pouco. Essa leitura me ajudou muito em diversos aspectos, mas, passado um ano, senti que muito daquela teoria estava longe de ser prática na minha vida. Foi, portanto, como uma desculpa para reler cada um daqueles temas e assim ter a oportunidade de escolher ajustar minhas práticas que decidi abordá-los aqui. Ok, feita essa advertência para que ninguém pense que eu sou modelo em qualquer uma dessas disciplinas, acho que podemos falar de simplicidade, ou modéstia.
Em Eclesiastes 7:29, Salomão afirma que “Deus nos fez simples e direitos, mas nós complicamos tudo.” Sem dúvida, as coisas deveriam/poderiam ser mais simples. A Bíblia diz que o amor do dinheiro é o primeiro de todos os males (I Timóteo 6:10) e Jesus é claríssimo ao pontuar que é impossível servir a Deus e ao dinheiro (Lucas 6:13).
O engraçado de falar dessas disciplinas cristãs é que a cada uma eu tenho a sensação de que aquela é a mensagem perfeita para o nosso tempo. Não é diferente em relação a simplicidade, porque ela é o oposto do consumismo. Numa escala de ruim a bom, são as coisas mais sofisticadas que alcançam o bom, não as mais simples. É a grande quantidade, não a pequena.
A gente vai aos EUA e vê como as coisas lá são ridiculamente baratas e então compra dezoito camisas raciocinando que está economizando um dinheirão se fosse comprar as mesmas camisas no Brasil sem pensar que, no Brasil, você nunca sentiria necessidade de ter dezoito camisas novas no armário de uma vez, ou seja, você nunca faria aquela compra. A gente liga o computador ou a TV e vê um relógio novo e, de alguma forma misteriosa, se convence de que tem a necessidade de ter um de cada cor. Simplicidade é ter uma noção correta do que é de fato necessário. Simplicidade é saber que o que é de fato necessário é uma única coisa.
A simplicidade, embora seja uma realidade interior, subjetiva, tem óbvias expressões externas. Na verdade, é a mais claramente identificável disciplina de todas. Trata-se da forma como você veste e ostenta a sua escala de prioridades na vida. Se sua escala de prioridades é ruim, vai ser difícil você ostentar uma versão boa dela. Portanto, para ser simples é preciso pedir a Deus. Precisamos exercitar a disciplina da oração com esse nobilíssimo pedido, lembrando que simplicidade não é o mesmo que desleixo. É possível ter uma casa bonita e limpa e vestir-se bem e ainda assim ser simples.
Foster lista dez sugestões práticas para corporificar a simplicidade:
1. Compre coisas pela sua utilidade e não pelo status que elas proporcionam;
2. Rejeite qualquer coisa que vicie ou que crie em você algum tipo de independência;
3. Criar o hábito de dar. Limpar os armários regularmente e passar adiante coisas em bom estado.
4. Desconfie do último lançamento tecnológico, especialmente aquele que promete fazer você economizar tempo. Para onde foi o tempo que você economizou com o e-mail, o celular, a impressora, etc?
5. Aprenda a desfrutar das coisas sem se apossar delas. Você não precisa ser o proprietário de tudo.
6. Seja natural. Crie oportunidades de contato com a natureza. Caminhe mais. Coma mais salada.
7. Fuja das compras à prazo.
8. Cultive a honestidade, o “sim, sim, não, não” (Mateus 5:37). Desista de tentar encapar seus motivos e razões com nobres sentimentos ou justificativas forjadas.
9. Rejeite qualquer coisa que alimente a opressão sobre outros.
10. Desligue aquilo que o distrai do que realmente interessa, o Reino de Deus.
“Que Deus dê a você – e a mim – a coragem, a sabedoria, a força para sempre manter o reino de Deus como a prioridade número um de nossa vida. Fazê-lo é viver em simplicidade” (Foster).
Em Eclesiastes 7:29, Salomão afirma que “Deus nos fez simples e direitos, mas nós complicamos tudo.” Sem dúvida, as coisas deveriam/poderiam ser mais simples. A Bíblia diz que o amor do dinheiro é o primeiro de todos os males (I Timóteo 6:10) e Jesus é claríssimo ao pontuar que é impossível servir a Deus e ao dinheiro (Lucas 6:13).
O engraçado de falar dessas disciplinas cristãs é que a cada uma eu tenho a sensação de que aquela é a mensagem perfeita para o nosso tempo. Não é diferente em relação a simplicidade, porque ela é o oposto do consumismo. Numa escala de ruim a bom, são as coisas mais sofisticadas que alcançam o bom, não as mais simples. É a grande quantidade, não a pequena.
A gente vai aos EUA e vê como as coisas lá são ridiculamente baratas e então compra dezoito camisas raciocinando que está economizando um dinheirão se fosse comprar as mesmas camisas no Brasil sem pensar que, no Brasil, você nunca sentiria necessidade de ter dezoito camisas novas no armário de uma vez, ou seja, você nunca faria aquela compra. A gente liga o computador ou a TV e vê um relógio novo e, de alguma forma misteriosa, se convence de que tem a necessidade de ter um de cada cor. Simplicidade é ter uma noção correta do que é de fato necessário. Simplicidade é saber que o que é de fato necessário é uma única coisa.
A simplicidade, embora seja uma realidade interior, subjetiva, tem óbvias expressões externas. Na verdade, é a mais claramente identificável disciplina de todas. Trata-se da forma como você veste e ostenta a sua escala de prioridades na vida. Se sua escala de prioridades é ruim, vai ser difícil você ostentar uma versão boa dela. Portanto, para ser simples é preciso pedir a Deus. Precisamos exercitar a disciplina da oração com esse nobilíssimo pedido, lembrando que simplicidade não é o mesmo que desleixo. É possível ter uma casa bonita e limpa e vestir-se bem e ainda assim ser simples.
Foster lista dez sugestões práticas para corporificar a simplicidade:
1. Compre coisas pela sua utilidade e não pelo status que elas proporcionam;
2. Rejeite qualquer coisa que vicie ou que crie em você algum tipo de independência;
3. Criar o hábito de dar. Limpar os armários regularmente e passar adiante coisas em bom estado.
4. Desconfie do último lançamento tecnológico, especialmente aquele que promete fazer você economizar tempo. Para onde foi o tempo que você economizou com o e-mail, o celular, a impressora, etc?
5. Aprenda a desfrutar das coisas sem se apossar delas. Você não precisa ser o proprietário de tudo.
6. Seja natural. Crie oportunidades de contato com a natureza. Caminhe mais. Coma mais salada.
7. Fuja das compras à prazo.
8. Cultive a honestidade, o “sim, sim, não, não” (Mateus 5:37). Desista de tentar encapar seus motivos e razões com nobres sentimentos ou justificativas forjadas.
9. Rejeite qualquer coisa que alimente a opressão sobre outros.
10. Desligue aquilo que o distrai do que realmente interessa, o Reino de Deus.
“Que Deus dê a você – e a mim – a coragem, a sabedoria, a força para sempre manter o reino de Deus como a prioridade número um de nossa vida. Fazê-lo é viver em simplicidade” (Foster).
segunda-feira, 2 de maio de 2011
A quarta disciplina: estudo
Nada combina mais com a ideia de “disciplina” do que estudo. Para estudar, precisamos ser disciplinados. Acontece que a maior parte das pessoas consegue concluir seus estudos sem lá tanta disciplina; levam a coisa na flauta, vão passando com a nota 5,0. Fica então a questão: o quão importante é para um cristão o estudo? Ele precisa se disciplinar a estudar a Bíblia? Não dá pra “passar com 5,0”? Não dá pra deixar isso de estudar para o pastor ou os teólogos e cuidar só das outras coisas (oração e meditação, por exemplo)? Vamos deixar a Bíblia responder: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Oseias 4:6).
Estudar, portanto, é tão vital quanto orar. É por falta de conhecimento que o povo perece, e não por falta de experiências místicas, êxtases espirituais, momentos tocantes ou outras coisas que valorizamos muito na vida cristã. Richard J. Foster aponta a este texto de Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2) e então acrescenta que “A mente é renovada ao aplicá-la àquelas coisas que a transformam”, ou seja, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4:8).
O texto de Oséias que transcrevemos acima é uma advertência aos sacerdotes, que deixavam de transmitir conhecimento ao povo, mas agora todos nós somos “sacerdócio real” (I Pedro 2:9). Não podemos depender de outro “sacerdote”.
Estudar a Bíblia não é tão difícil quanto parece, especialmente hoje em dia. Há muito material de apoio e há muitas formas de o fazer. Você pode estudar como William Miller fez, pegando apenas a Bíblia e uma concordância (que mostra em que outros versos da Bíblia cada palavra aparece) e lendo verso por verso, só passando adiante depois de haver entendido o anterior. Você pode eleger um tema (como “o que acontece depois que morremos?”, “o que era o santuário e o que significava seu ritual?”, “o que a Bíblia fala sobre a lei de Deus”, “o que a Bíblia fala sobre a volta de Jesus?”, etc) e, com a ajuda de um roteiro, abrir cada verso que fala sobre ele, refletindo em seu sentido. Você pode pegar um livro da Bíblia como o evangelho de João e o ler repetidas vezes. Você pode estudar apenas a profecia apocalíptica de Daniel e Apocalipse, usando um comentário de uma fonte cuidadosa como ajuda. Você pode fazer qualquer uma dessas coisas em grupo, reunindo amigos. Você pode pedir a um amigo mais experiente para conduzir um estudo sistemático com você no começo, para mais adiante começar a andar sozinho. Qualquer que seja o método, o importante é que ele seja precedido por uma oração sincera por iluminação e por que a vontade de Deus seja mostrada, ainda que ela contrarie a sua.
Como toda disciplina, a do estudo é custosa e sacrificante no começo. Quando ela se torna hábito você se pega sentindo um inusitado prazer. Você sente o que aqueles discípulos no caminho de Emaús sentiram quando Jesus lhes aplicava um estudo bíblico sobre Ele próprio: “Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lucas 24:32).
Você não precisa ser destruído, você não precisa morrer. O conhecimento está ao seu alcance. Rejeitá-lo é como um náufrago rejeitar a corda do resgate. E você troca o resgate pelo que? O que há de tão mais importante naquilo com que você gasta seu tempo hoje?
Ore hoje com o salmista: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua Lei” (Salmo 119:18).
Estudar, portanto, é tão vital quanto orar. É por falta de conhecimento que o povo perece, e não por falta de experiências místicas, êxtases espirituais, momentos tocantes ou outras coisas que valorizamos muito na vida cristã. Richard J. Foster aponta a este texto de Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2) e então acrescenta que “A mente é renovada ao aplicá-la àquelas coisas que a transformam”, ou seja, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4:8).
O texto de Oséias que transcrevemos acima é uma advertência aos sacerdotes, que deixavam de transmitir conhecimento ao povo, mas agora todos nós somos “sacerdócio real” (I Pedro 2:9). Não podemos depender de outro “sacerdote”.
Estudar a Bíblia não é tão difícil quanto parece, especialmente hoje em dia. Há muito material de apoio e há muitas formas de o fazer. Você pode estudar como William Miller fez, pegando apenas a Bíblia e uma concordância (que mostra em que outros versos da Bíblia cada palavra aparece) e lendo verso por verso, só passando adiante depois de haver entendido o anterior. Você pode eleger um tema (como “o que acontece depois que morremos?”, “o que era o santuário e o que significava seu ritual?”, “o que a Bíblia fala sobre a lei de Deus”, “o que a Bíblia fala sobre a volta de Jesus?”, etc) e, com a ajuda de um roteiro, abrir cada verso que fala sobre ele, refletindo em seu sentido. Você pode pegar um livro da Bíblia como o evangelho de João e o ler repetidas vezes. Você pode estudar apenas a profecia apocalíptica de Daniel e Apocalipse, usando um comentário de uma fonte cuidadosa como ajuda. Você pode fazer qualquer uma dessas coisas em grupo, reunindo amigos. Você pode pedir a um amigo mais experiente para conduzir um estudo sistemático com você no começo, para mais adiante começar a andar sozinho. Qualquer que seja o método, o importante é que ele seja precedido por uma oração sincera por iluminação e por que a vontade de Deus seja mostrada, ainda que ela contrarie a sua.
Como toda disciplina, a do estudo é custosa e sacrificante no começo. Quando ela se torna hábito você se pega sentindo um inusitado prazer. Você sente o que aqueles discípulos no caminho de Emaús sentiram quando Jesus lhes aplicava um estudo bíblico sobre Ele próprio: “Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lucas 24:32).
Você não precisa ser destruído, você não precisa morrer. O conhecimento está ao seu alcance. Rejeitá-lo é como um náufrago rejeitar a corda do resgate. E você troca o resgate pelo que? O que há de tão mais importante naquilo com que você gasta seu tempo hoje?
Ore hoje com o salmista: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua Lei” (Salmo 119:18).
Esconderijo
Saddam Hussein foi encontrado em um buraco. Osama Bin Laden foi enfim encontrado em Islamabad, no Paquistão. É muito difícil esconder-se por muito tempo quando se é uma das pessoas mais procuradas do mundo. Como você é.
Quando você pensa no sacrifício de Jesus na cruz por você e pensa também na enorme quantidade de situações e incidentes que lhe ocorreram e que lhe fizeram repensar seus valores, suas prioridades, que lhe fizeram considerar mesmo que brevemente o que acontece depois da morte, você só pode concluir que Deus está muito interessado em você. Ele está procurando você o tempo todo.
Quando Adão e Eva pecaram lá no Eden, a Bíblia diz que Ele, em lugar de castigá-los simplesmente, os procurou, foi atrás deles, chamou-os pelo nome. Se você pensar um pouco na sua jornada até aqui, concluirá que Ele continua fazendo o mesmo com você. Está vindo atrás de você hoje com este texto.
Você é uma das pessoas mais procuradas do mundo e admita: não há esconderijo. Davi escreveu: "Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá" (Salmo 139:7-10).
Acharam Saddam num buraco. Acharam Bin Laden depois de quase 10 anos. Ele vai achar você também. E vai abraçar você quando encontrar.
Quando você pensa no sacrifício de Jesus na cruz por você e pensa também na enorme quantidade de situações e incidentes que lhe ocorreram e que lhe fizeram repensar seus valores, suas prioridades, que lhe fizeram considerar mesmo que brevemente o que acontece depois da morte, você só pode concluir que Deus está muito interessado em você. Ele está procurando você o tempo todo.
Quando Adão e Eva pecaram lá no Eden, a Bíblia diz que Ele, em lugar de castigá-los simplesmente, os procurou, foi atrás deles, chamou-os pelo nome. Se você pensar um pouco na sua jornada até aqui, concluirá que Ele continua fazendo o mesmo com você. Está vindo atrás de você hoje com este texto.
Você é uma das pessoas mais procuradas do mundo e admita: não há esconderijo. Davi escreveu: "Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá" (Salmo 139:7-10).
Acharam Saddam num buraco. Acharam Bin Laden depois de quase 10 anos. Ele vai achar você também. E vai abraçar você quando encontrar.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
A terceira disciplina: jejum
Nesse mergulho nas Disciplinas cristãs, talvez o tema mais difícil de tratar seja o do jejum. Vivemos numa sociedade cada vez mais obesa, com uma variedade gigantesca de alimentos cada vez mais sedutores. Sedutores, sim, porque o paladar é, dos cinco sentidos, aquele que, uma vez atendido, dá o prazer mais intenso e instantâneo. Além disso, como a meditação, o jejum foi surrupiado por uma forma de religião pouco saudável, nesse caso baseada em mortificação da carne, autoflagelação como forma de alcançar uma experiência espiritual mais alta. Há também quem diga que ele faria mal à saúde, um preconceito que não se sustenta.
Enumerei no parágrafo acima algumas objeções erradas ao jejum mas não dei nenhuma razão para fazê-lo. Bem, que tal pensar que o jejum tem sido praticado por toda a cristandade e antes dela pelos gigantes espirituais do Velho Testamento? Como observa Richard J. Foster, a lista dos que praticaram jejum inclui nomes como Moisés, Davi, Ana, Elias, Ester, Paulo e, claro, Jesus. Além dos bíblicos, temos também nomes como Martinho Lutero, Calvino, John Knox, Wesley e Ellen White. A Bíblia descreve jejuns totais e parciais (nos quais a pessoa se abstinha de alguns tipos de alimentos que costumava utilizar no cotidiano), como o de Daniel (10:3). Descreve também jejuns individuais mas também coletivos, como o apregoado por Ester (4:16) e o do dia da Expiação, a festa anual hebréia (Levítico 23:27). O jejum tem um valor tão inestimável que Jesus afirma que há resultados que só são alcançados mediante oração e jejum (Mateus 17:21), além de dar orientações específicas para o jejum no sermão do monte (Mateus 6:16). Ali, Ele diz “quando jejuardes...”, tomando por certo que Seu povo jejuaria. Ele não diz “se jejuardes”!
Mas para que serve o jejum? Se você se lançar ao jejum como forma de tornar Deus mais benevolente consigo, como forma de atrair o favor divino, você começou mal. Ele já o ama como um pai de verdade, não há nada que você possa fazer para aumentar ou diminuir esse amor. O jejum é o que Foster chama de uma disciplina interior, tem a ver com sua relação com Deus, exclusivamente. Não precisa ser apregoada por aí. O jejum é um potencializador de outra Disciplina, a oração. Ele ajuda você a lembrar quem é que lhe sustenta.
Mas como jejuar? Foster sugere que o façamos progressivamente, com jejuns parciais de um dia por semana ou a cada quinze dias, evoluindo para jejuns completos (onde só se consome água). O jejum absoluto, aquele no qual nem água é ingerida, é uma exceção na Bíblia; é uma forma sobrenatural de jejum, não deve ser a regra e creio que nem deva ser perseguido. Como toda Disciplina, será mais difícil no começo e o prazer que se obterá do jejum só aparecerá plenamente com o tempo. Mas aparecerá.
Enumerei no parágrafo acima algumas objeções erradas ao jejum mas não dei nenhuma razão para fazê-lo. Bem, que tal pensar que o jejum tem sido praticado por toda a cristandade e antes dela pelos gigantes espirituais do Velho Testamento? Como observa Richard J. Foster, a lista dos que praticaram jejum inclui nomes como Moisés, Davi, Ana, Elias, Ester, Paulo e, claro, Jesus. Além dos bíblicos, temos também nomes como Martinho Lutero, Calvino, John Knox, Wesley e Ellen White. A Bíblia descreve jejuns totais e parciais (nos quais a pessoa se abstinha de alguns tipos de alimentos que costumava utilizar no cotidiano), como o de Daniel (10:3). Descreve também jejuns individuais mas também coletivos, como o apregoado por Ester (4:16) e o do dia da Expiação, a festa anual hebréia (Levítico 23:27). O jejum tem um valor tão inestimável que Jesus afirma que há resultados que só são alcançados mediante oração e jejum (Mateus 17:21), além de dar orientações específicas para o jejum no sermão do monte (Mateus 6:16). Ali, Ele diz “quando jejuardes...”, tomando por certo que Seu povo jejuaria. Ele não diz “se jejuardes”!
Mas para que serve o jejum? Se você se lançar ao jejum como forma de tornar Deus mais benevolente consigo, como forma de atrair o favor divino, você começou mal. Ele já o ama como um pai de verdade, não há nada que você possa fazer para aumentar ou diminuir esse amor. O jejum é o que Foster chama de uma disciplina interior, tem a ver com sua relação com Deus, exclusivamente. Não precisa ser apregoada por aí. O jejum é um potencializador de outra Disciplina, a oração. Ele ajuda você a lembrar quem é que lhe sustenta.
Mas como jejuar? Foster sugere que o façamos progressivamente, com jejuns parciais de um dia por semana ou a cada quinze dias, evoluindo para jejuns completos (onde só se consome água). O jejum absoluto, aquele no qual nem água é ingerida, é uma exceção na Bíblia; é uma forma sobrenatural de jejum, não deve ser a regra e creio que nem deva ser perseguido. Como toda Disciplina, será mais difícil no começo e o prazer que se obterá do jejum só aparecerá plenamente com o tempo. Mas aparecerá.
A terceira disciplina: jejum
Nesse mergulho nas Disciplinas cristãs, talvez o tema mais difícil de tratar seja o do jejum. Vivemos numa sociedade cada vez mais obesa, com uma variedade gigantesca de alimentos cada vez mais sedutores. Sedutores, sim, porque o paladar é, dos cinco sentidos, aquele que, uma vez atendido, dá o prazer mais intenso e instantâneo. Além disso, como a meditação, o jejum foi surrupiado por uma forma de religião pouco saudável, nesse caso baseada em mortificação da carne, autoflagelação como forma de alcançar uma experiência espiritual mais alta. Há também quem diga que ele faria mal à saúde, um preconceito que não se sustenta.
Enumerei no parágrafo acima algumas objeções erradas ao jejum mas não dei nenhuma razão para fazê-lo. Bem, que tal pensar que o jejum tem sido praticado por toda a cristandade e antes dela pelos gigantes espirituais do Velho Testamento? Como observa Richard J. Foster, a lista dos que praticaram jejum inclui nomes como Moisés, Davi, Ana, Elias, Ester, Paulo e, claro, Jesus. Além dos bíblicos, temos também nomes como Martinho Lutero, Calvino, John Knox, Wesley e Ellen White. A Bíblia descreve jejuns totais e parciais (nos quais a pessoa se abstinha de alguns tipos de alimentos que costumava utilizar no cotidiano), como o de Daniel (10:3). Descreve também jejuns individuais mas também coletivos, como o apregoado por Ester (4:16) e o do dia da Expiação, a festa anual hebréia (Levítico 23:27). O jejum tem um valor tão inestimável que Jesus afirma que há resultados que só são alcançados mediante oração e jejum (Mateus 17:21), além de dar orientações específicas para o jejum no sermão do monte (Mateus 6:16). Ali, Ele diz “quando jejuardes...”, tomando por certo que Seu povo jejuaria. Ele não diz “se jejuardes”!
Mas para que serve o jejum? Se você se lançar ao jejum como forma de tornar Deus mais benevolente consigo, como forma de atrair o favor divino, você começou mal. Ele já o ama como um pai de verdade, não há nada que você possa fazer para aumentar ou diminuir esse amor. O jejum é o que Foster chama de uma disciplina interior, tem a ver com sua relação com Deus, exclusivamente. Não precisa ser apregoada por aí. O jejum é um potencializador de outra Disciplina, a oração. Ele ajuda você a lembrar quem é que lhe sustenta.
Mas como jejuar? Foster sugere que o façamos progressivamente, com jejuns parciais de um dia por semana ou a cada quinze dias, evoluindo para jejuns completos (onde só se consome água). O jejum absoluto, aquele no qual nem água é ingerida, é uma exceção na Bíblia; é uma forma sobrenatural de jejum, não deve ser a regra e creio que nem deva ser perseguido. Como toda Disciplina, será mais difícil no começo e o prazer que se obterá do jejum só aparecerá plenamente com o tempo. Mas aparecerá.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 08/04/11
Enumerei no parágrafo acima algumas objeções erradas ao jejum mas não dei nenhuma razão para fazê-lo. Bem, que tal pensar que o jejum tem sido praticado por toda a cristandade e antes dela pelos gigantes espirituais do Velho Testamento? Como observa Richard J. Foster, a lista dos que praticaram jejum inclui nomes como Moisés, Davi, Ana, Elias, Ester, Paulo e, claro, Jesus. Além dos bíblicos, temos também nomes como Martinho Lutero, Calvino, John Knox, Wesley e Ellen White. A Bíblia descreve jejuns totais e parciais (nos quais a pessoa se abstinha de alguns tipos de alimentos que costumava utilizar no cotidiano), como o de Daniel (10:3). Descreve também jejuns individuais mas também coletivos, como o apregoado por Ester (4:16) e o do dia da Expiação, a festa anual hebréia (Levítico 23:27). O jejum tem um valor tão inestimável que Jesus afirma que há resultados que só são alcançados mediante oração e jejum (Mateus 17:21), além de dar orientações específicas para o jejum no sermão do monte (Mateus 6:16). Ali, Ele diz “quando jejuardes...”, tomando por certo que Seu povo jejuaria. Ele não diz “se jejuardes”!
Mas para que serve o jejum? Se você se lançar ao jejum como forma de tornar Deus mais benevolente consigo, como forma de atrair o favor divino, você começou mal. Ele já o ama como um pai de verdade, não há nada que você possa fazer para aumentar ou diminuir esse amor. O jejum é o que Foster chama de uma disciplina interior, tem a ver com sua relação com Deus, exclusivamente. Não precisa ser apregoada por aí. O jejum é um potencializador de outra Disciplina, a oração. Ele ajuda você a lembrar quem é que lhe sustenta.
Mas como jejuar? Foster sugere que o façamos progressivamente, com jejuns parciais de um dia por semana ou a cada quinze dias, evoluindo para jejuns completos (onde só se consome água). O jejum absoluto, aquele no qual nem água é ingerida, é uma exceção na Bíblia; é uma forma sobrenatural de jejum, não deve ser a regra e creio que nem deva ser perseguido. Como toda Disciplina, será mais difícil no começo e o prazer que se obterá do jejum só aparecerá plenamente com o tempo. Mas aparecerá.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 08/04/11
sexta-feira, 1 de abril de 2011
A segunda disciplina: oração
Meditação, jejum, estudo e outras disciplinas são musculação; oração é exercício aeróbico. É o mais importante, é aquele que deve ser praticado com maior regularidade. Nosso alvo é alto: “orai sem cessar” (I Tessalonicenses 5:17), ou seja, desenvolver uma tal intimidade com o Criador que cada pensamento nosso deságue nEle ou numa breve conversa com Ele. É o que Ellen White chama de “levar cada pensamento cativo” a Deus. Richard Foster pontua a importância da oração afirmando que ela é “a avenida central que Deus usa para nos transformar”.
Por outras palavras, não há vida espiritual rica e abundante sem o exercício intenso da disciplina da oração, como eu próprio tenho aprendido, graças aos períodos atribulados em que as muitas obrigações do dia sufocam esses momentos imprescindíveis. Como todo exercício aeróbico, parar de praticar significa ter muito mais dificuldades na hora de retomar.
Só a oração nos leva à atmosfera celeste, nos faz acostumar com os postulados do Céu, nos faz respirar o ar que Deus planejou que fosse nosso habitat pela eternidade afora. A oração ajusta nossas expectativas a respeito de Deus, nos ajuda a não esperar dEle aquilo que Ele não prometeu. A oração ajusta nossos sonhos e projetos, nos inspira a ter sonhos e projetos melhores. E, como os discípulos de Jesus bem o sabiam, oração é uma coisa que se aprende (“Senhor, ensina-nos a orar” Lucas 11:1).
É muito difícil concentrar nestes poucos parágrafos tudo o que há para ser dito sobre oração, mas talvez estas dicas práticas possam ajudar a quem estiver dando os primeiros passos no exercício dessa disciplina:
1. Tenha um tempo separado para isso – nem que seja no trânsito, na academia, no ônibus, no trem. Se você não tiver um santuário em sua casa onde o mundo pode ser desligado, encontre no seu cotidiano um espaço em que pode orar. Este período cotidiano vai ser importante no começo, para que você se sinta “em casa” na oração e passe a orar “sem cessar”, no trabalho, em casa, no lazer, onde for;
2. Prepare-se para ser fortemente assediado – sendo a oração da importância que é, natural esperar que Satanás não deseje que você ore. Todo tipo de pensamento vai atravessar sua mente no momento de oração, vai ser difícil se concentrar. Comece a oração pedindo que Deus o ajude a orar;
3. Saiba de antemão o que vai orar. Nessas coisas, ser organizado é tão ou mais importante como nas outras todas. Se você começar a orar sem um roteiro, vai ser mais fácil ter o pensamento arrebatado para longe. Um caderninho com anotações de oração vai ajudar. Liste pessoas e situações que você se sente impressionado a orar por. Seja específico. Anote exatamente qual aspecto você gostaria que sofresse a intervenção divina.
4. Lembre-se que a oração não é uma ferramenta para convencer a Deus de qualquer coisa. Como diz o brocardo cristão, “não há nada que você possa fazer para Deus o amar menos. Não há nada que você possa fazer para Deus o amar mais”. Ele já ama você, já quer lhe dar o melhor. Aproxime-se dEle como um filho se aproxima de um pai que está constantemente dando mostras de que o ama e de que ele é sua prioridade número um. E, se Ele houver feito uma promessa, como as que colocou na Bíblia, não ore pedindo que Ele se lembre dela. Ele não esquece. Ore pedindo para que se Ele estiver agindo, que você seja incluído no processo. Ore agradecendo antes de receber. Filhos amados não duvidam do pai.
Como diz Thomas Kelly, citado por Richard Foster, “existe uma forma de ordenar nossa vida mental em mais de um nível de cada vez. Em um nível podemos estar pensando, discutindo, olhando, calculando, dando conta de todas as demandas de nossa vida exterior. Mas lá no fundo, por trás dos bastidores, em um nível mais profundo, nós podemos também estar em oração e adoração, canção e louvor, numa suave receptividade ao sopro divino”.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 01/04/2011
Por outras palavras, não há vida espiritual rica e abundante sem o exercício intenso da disciplina da oração, como eu próprio tenho aprendido, graças aos períodos atribulados em que as muitas obrigações do dia sufocam esses momentos imprescindíveis. Como todo exercício aeróbico, parar de praticar significa ter muito mais dificuldades na hora de retomar.
Só a oração nos leva à atmosfera celeste, nos faz acostumar com os postulados do Céu, nos faz respirar o ar que Deus planejou que fosse nosso habitat pela eternidade afora. A oração ajusta nossas expectativas a respeito de Deus, nos ajuda a não esperar dEle aquilo que Ele não prometeu. A oração ajusta nossos sonhos e projetos, nos inspira a ter sonhos e projetos melhores. E, como os discípulos de Jesus bem o sabiam, oração é uma coisa que se aprende (“Senhor, ensina-nos a orar” Lucas 11:1).
É muito difícil concentrar nestes poucos parágrafos tudo o que há para ser dito sobre oração, mas talvez estas dicas práticas possam ajudar a quem estiver dando os primeiros passos no exercício dessa disciplina:
1. Tenha um tempo separado para isso – nem que seja no trânsito, na academia, no ônibus, no trem. Se você não tiver um santuário em sua casa onde o mundo pode ser desligado, encontre no seu cotidiano um espaço em que pode orar. Este período cotidiano vai ser importante no começo, para que você se sinta “em casa” na oração e passe a orar “sem cessar”, no trabalho, em casa, no lazer, onde for;
2. Prepare-se para ser fortemente assediado – sendo a oração da importância que é, natural esperar que Satanás não deseje que você ore. Todo tipo de pensamento vai atravessar sua mente no momento de oração, vai ser difícil se concentrar. Comece a oração pedindo que Deus o ajude a orar;
3. Saiba de antemão o que vai orar. Nessas coisas, ser organizado é tão ou mais importante como nas outras todas. Se você começar a orar sem um roteiro, vai ser mais fácil ter o pensamento arrebatado para longe. Um caderninho com anotações de oração vai ajudar. Liste pessoas e situações que você se sente impressionado a orar por. Seja específico. Anote exatamente qual aspecto você gostaria que sofresse a intervenção divina.
4. Lembre-se que a oração não é uma ferramenta para convencer a Deus de qualquer coisa. Como diz o brocardo cristão, “não há nada que você possa fazer para Deus o amar menos. Não há nada que você possa fazer para Deus o amar mais”. Ele já ama você, já quer lhe dar o melhor. Aproxime-se dEle como um filho se aproxima de um pai que está constantemente dando mostras de que o ama e de que ele é sua prioridade número um. E, se Ele houver feito uma promessa, como as que colocou na Bíblia, não ore pedindo que Ele se lembre dela. Ele não esquece. Ore pedindo para que se Ele estiver agindo, que você seja incluído no processo. Ore agradecendo antes de receber. Filhos amados não duvidam do pai.
Como diz Thomas Kelly, citado por Richard Foster, “existe uma forma de ordenar nossa vida mental em mais de um nível de cada vez. Em um nível podemos estar pensando, discutindo, olhando, calculando, dando conta de todas as demandas de nossa vida exterior. Mas lá no fundo, por trás dos bastidores, em um nível mais profundo, nós podemos também estar em oração e adoração, canção e louvor, numa suave receptividade ao sopro divino”.
Feliz sábado, @migos!
Marco Aurelio Brasil, 01/04/2011
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